(sequência daqui) No coração do álbum está a faixa que lhe dá o título, uma composição inspirada na medieval Hildegard von Bingen à qual Holter regressou em várias versões ao longo da sua carreira: "Materia 2" reconstitui a canção como um exuberante sonho febril e alucinatório. Guiada por uma linha de baixo, clarinetes vibrantes e caixas de ritmos ocultas, Holter entrelaça a voz com a de Jessika Kenney, gerando espirais vocais algures entre o canto medieval e a art-pop de hoje. Enquanto isso, "Materia 3" brinca com a percepção temporal, re-explorando as gravações vocais do álbum de 2024 para revelar microtexturas harmónicas que parecem ao mesmo tempo assombrosamente familiares e totalmente novas..
Holter sempre se interessou pela tensão entre o imediato e o abstrato, e Materia transporta essa tensão para um território especialmente sensível particularmente em "Fantasy", uma faixa cuja aparente espontaneidade esconde um processo criativo particularmente trabalhoso. Holter descreveu a canção como "o empreendimento mais exaustivo de todo o disco — demorou mais de um ano e foi sofrendo várias transformações", explicou ela à "Pitchfork". "É dançável, parece uma espécie de evocação. E, pelo meio do ímpeto de devaneio, há o verso 'Blink at the light, and hope to survive', porque os devaneios, num estado fascista, também podem ser assustadores. Eu estava a tentar encontrar o ritmo certo, optimista". (segue)
04 September 2026
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