04 September 2022

Andrew Bird & Lucius - "Venus In Furs" (Lou Reed/Velvet Underground)

(ver aqui)
O "cérebro" do Chaga baralha-se e confunde Brejnev com o psicólogo alemão Kurt Lewin (podem continuar sff)
"Becoming All Alone"
 
(sequência daqui) O modo como tudo isto, observado sob vários ângulos, acaba por estar presente em Home, Before and After (oitavo álbum de estúdio de Regina e o sucessor de Remember Us To Life, de 2016), concluído antes do início do morticínio ucraniano, é apenas mais um sinal de como, olhando para os detalhes do mundo, Regina Spektor tanto os amplia desmedidamente como os transpõe para a dimensão de quase aforismos virtualmente independentes de tempo e lugar: “The world began outside of time , some days it’s yours, some days it’s mine, some days it’s cruel, some days it’s kind, it just can’t stay the same”, é o pequeno engenho verbal que, à beira do final, desvenda o sentido de "Spacetime Fairytale" – o épico quase wagneriano de 9 minutos que Stephen Sondheim poderia ter sonhado num grandioso devaneio psicadélico interrompido por um "intermezzo" de "tap-dance"; "Becoming All Alone", retoma a peculiar teologia spektoriana iniciada em "Laughing With" (“God could be funny, when told he'll give you money if you just pray the right way, and when presented like a genie who does magic like Houdini”) no relato de como, ao cruzar da esquina, Deus, em paleio de engate, se lhe dirige (“Hey, let's grab a beer, it's awful late, we both right here") mas se esquiva a responder a “Why doesn't it get better with time?”; e, a encerrar, sobrevoando as cordas oceânicas da Skopje Studio Orchestra, um micro-drama indidual transforma-se no ponto de partida para que, em "Through a Door", um terrível e precário ponto de equilíbrio possa ser alcançado: “By tomorrow may it pass, like a shadow or a storm, without darkness, is there light? Without night, is there a morning?” Uma declaração de intenções? Ver, por exemplo, na “Vulture”: “Não crio arte universal. Não faço declarações universais. Não sou uma líder de opinião. Quem se compromete totalmente com um grupo acaba por perder a individualidade”.

02 September 2022

É inacreditável que não tenham conseguido convencer o grande camarada Zyuganov a vir ao Seixal comer umas bifanas e beber umas mines...

Andrew Bird - "Bloodless"
"We find ourselves in a cold civil war. Everyone is playing their part too well. Certain actors are reaping power and wealth from divisiveness. Echoes of the Spanish civil war when fascists and clergy win because they put up a united front against the individualistic and principled (yet scattered) left. We can turn this ship around but need to step back and be honest with ourselves about what’s happening while it’s still relatively bloodless"
Duro revés, imensas saudades... 

Edit (18:29):

(via MnP)

01 September 2022

OS DETALHES DO MUNDO 

Regina Spektor conhece bem aquilo de que fala: Home, Before and After. Nascida na Moscovo ainda soviética de 1980 com avós originários da Ucrânia, mal as primeiras frestas da “perestroika” se abriram autorizando a emigração de cidadãos judeus, a família Spektor – Ilya, o pai fotógrafo e violinista, Bella, a mãe professora de piano, Boruch, o irmão, e ela –, em 1989, voou para os EUA. Todas essas memórias deverão ter-lhe regressado a galope quando, no passado dia 24 de Fevereiro, em pleno início da invasão russa da Ucrânia, escreveu no Instagram: “Hoje dói-me o coração porque, por mais enormes obras de arte e de música que existam a denunciar os horrores da guerra (Guernica.... 'Masters Of War'... Vonnegut... Remarque... tantos filmes em tantas línguas...), novos senhores da guerra se vão erguendo em todas as nações, enviando novos jovens para se massacrarem mutuamente”. Mais recentemente, à “NPR”, confessaria: “É verdade, estou devastada. Não acredito que isto possa estar a acontecer. Os meus avós são da Ucrânia e combatemos todos juntos na Segunda Guerra Mundial. Cresci na Rússia soviética e não existia qualquer diferença entre os nossos familiares de Moscovo e os de Odessa. Era um lugar colectivo onde todos tínham sofrido horrores, todos tínham combatido os nazis e vivido o pesadelo de ver o nosso território invadido. Mas, agora, na Ucrânia, o que vemos são milhões de civis arrastados para uma guerra, cidades vibrantes cheias de famílias. Não consigo ver mais reportagens. Já chorei demais, já me enfureci demais. É aterrador”. (daqui segue para aqui)

"Up the Mountain"
"Prankster seizes Bolsonaro website and turns president into ‘snake-tongued liar’" (ver aqui; Edit - 01/09/2022: pelos vistos, já foi desmaterializado...)