Quantas vezes te disse já eu, Donaldo João, que não deves deixar outros meninos mexer nos teus brinquedos?
26 March 2025
The Turd Reich
Featuring: 1. Badgold Shitler, 2. SS Vance, 3 Muskölini, 4. Nazil Faschage, 5. Vlad the Invader, 6. Gina Zidal - daqui
Bonnie Dobson - "Time"
(sequência daqui) Nada, porém, que fosse obstáculo para tudo quanto Bach, Vivaldi, Haendel, Scarlatti, ou Monteverdi tinham para nos legar. Ou para que, dois séculos mais tarde, no perímetro da música popular anglo-americana, "baroque pop" – ou "chamber pop", ou "orchestral pop" - designassem o exacto oposto do que, originalmente, Rousseau e colegas fustigavam: uma música serenamente bucólica, docemente pastoral, na qual a mera presença de quartetos de cordas, cravos, flautas ou aéreos corais bastava para, nas palavras de Bob Stanley (membro dos Saint Etienne, jornalista e erudito curador de American Baroque - Chamber Pop And Beyond 1967 - 1971), "criar uma sensação de melancolia outonal bem distinta do rock'n'roll tal como Eddie Cochran o entendia". Já nos tinha oferecido Tea & Symphony: English Baroque Sound 1968-1974 (2020), descendente indirecto de Come Join My Orchestra: The British Baroque Pop Sound 1967-73 (2018). Neste 3º volume, há 24 novas hipóteses de descoberta.
25 March 2025
Como se conversava nesta caixa de comentários, o iracundo social-facho Raimundo, que nem ao patético JRS conseguiu tourear, acaba a fazer queixinhas aos orgãos de fiscalização da comunicação social burguesa e reaccionária
Como haveremos nós de explicar à PSP que, na (muito boa) série Adolescence, o que menos importa são os "emojis"?...
24 March 2025
PÉROLAS IMPERFEITAS
A culpa foi dos críticos. E, neste caso, daqueles já longínquos dos séculos XVII/XVIII que, quando confrontados com criações musicais menos conformes às regras da época, as recusaram e procuraram desacreditar. O primeiro terá sido o anónimo que, no "Mercure de France" de Maio de 1734, se queixava de, na ópera Hippolyte et Aricie, de Rameau, a única novidade ser "du barocque", isto é, a "ausência de melodias coerentes, as dissonâncias constantes, e as frequentes mudanças de tonalidade e compasso". O termo, "barroco", fora buscá-lo à língua portuguesa na qual, por via do latim - verrūca/verruga - se transformara num sinónimo de "pérola imperfeita". Em 1768, na Encyclopédie, também Jean-Jacques Rousseau se pronunciaria: "Música barroca é aquela cuja harmonia é confusa e sobrecarregada de modulações e dissonâncias. O canto é agreste e pouco natural, a entonação difícil e o movimento limitado". (daqui; segue para aqui)
(sequência daqui) E ele - que se reivindica de Raymond Carver, Sam Shepard, Randy Newman, Tom Waits e Shane MacGowan - admitiu-o de imediato: "Pelos meus 17 anos, tinha já lido 6 dos livros dele. Tornou a minha vida muito melhor. Tinha uma fotografia dele por cima da minha cama ao lado das dos Clash, Jam, Rank & File e X". O último álbum, Mr. Luck & Ms. Doom surgiu a partir de uma súplica de Amy Boone: "Por favor, escreve-me uma canção de amor como deve ser, em que ninguém morra nem tudo corra mal, ou acabo por dar em doida". Vlautin concordou e respondeu com uma história sobre um criminoso falhado e uma empregada de limpeza depressiva. E com todas as outras acerca das Lorraines, das Maureens ou da Nancy do "Pensacola pimp", embrulhadas com trastes "with a wife and kids, a left hook like Frazier and words that hit just as hard“.
O "chevalier" meteu um bocado os pés pelas mãos e baralhou-se com o Musk mas até não anda muito longe da verdade
12 March 2025
A NOSSA CIDADE EM RUÍNAS
Muito provavelmente, é um esforço inglório. Mas, mesmo que alguma esperança ainda exista, é obrigatório reconhecer que pouco resta tentar para que o mundo se aperceba do muito que tem andado a perder ao ignorar a belíssima obra de Willy Vlautin. Sim, o homem de Reno, Nevada, publicou já, desde 2007, 7 livros de "short novels" celebrados pela crítica e dois dos quais adaptados ao cinema (The Motel Life, em 2013, e Lean On Pete, 2017); com os Richmond Fontaine, entre 1994 e 2016, ofereceu-nos uma dúzia de riquíssimos álbuns - quem nunca tenha sequer tentado escutar The Fitzgerald (2005) não merece o ar que respira; e, nos Delines de Colfax (2014), The Imperial (2019) e The Sea Drift (2022), entregando às belíssimas nuances da voz de Amy Boone a missão de desocultar os vários recantos da narrativa, criou um universo tão intimamente pessoal quanto retintamente norte-americano. Ursula K. Le Guin chamou-lhe "um Steinbeck não sentimental que nos fala de quem, na realidade, vive hoje na nossa America, na nossa cidade em ruinas" (daqui; segue para aqui)