18 June 2022

"A RÚSSIA É UM PESADELO" 

A 21 de Fevereiro de 2012, Nadya Tolokonnikova, Maria (Masha) Alekhina e Yekaterina Samutsevich pularam sobre o altar da Catedral do Cristo Salvador, em Moscovo, e entoaram uma “oração punk” em que imploravam à Virgem que livrasse os russos de Vladimir Putin. Imediatamente presas e julgadas, as três Pussy Riot – na verdade, não uma “banda” mas uma brigada de teatro de guerrilha de cerca de 10 performers e 15 elementos responsáveis pela logística técnica (incluindo filmagem, montagem e distribuição de vídeos via-Internet) –, seriam condenadas por um tribunal de Moscovo a uma pena de dois anos de prisão “por hooliganismo e incitação ao ódio religioso”. Na altura, afirmariam: “Não são as três cantoras das Pussy Riot que estão a ser julgadas. É o aparelho de Estado da Federação Russa que está a ser julgado e que, infelizmente para si mesmo, se deleita em publicitar a sua crueldade para com os seres humanos, a indiferença perante a sua honra e dignidade, o pior do que aconteceu na História da Rússia até hoje. Lamento profundamente que este tribunal não seja muito diferente das troikas estalinistas”. Libertadas em Dezembro de 2013, numa manobra de relações públicas antes dos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, Masha e Nadya, fora e dentro da Rússia, através de videos, acções de agit-prop, publicação de livros e concertos, nunca baixaram os braços. O que, tal como agora aconteceu com Masha – à beira de uma digressão europeia que passaria por Portugal –, as obrigou a uma táctica de fuga permanente.

Há semanas, quando, aparentemente, iria haver uma possibilidade de termos esta conversa, ela acabou por ser impossível. Ao mesmo tempo, surgiu na imprensa internacional a notícia de que, por essa altura, a Masha, via Bielorússia e Lituânia, tinha fugido para a Islândia sob o disfarce de entregadora de refeições... 

É, de facto, verdade. Estava a preparar-me para dar início a esta digressão e vi-me obrigada a resolver, de urgência, uma série de problemas. Sabia que iriam surgir grandes dificuldades na passagem da fronteira, tinha a minha casa constantemente vigiada pela polícia... Tive de arranjar forma de resolver esses problemas da maneira mais expedita possível. (daqui; segue para aqui)

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