
Camera Obscura - My Maudlin Career
Algo existe em mim que, instantaneamente, me conduz a segregar hormonas de imenso afecto por quem, num único álbum, consegue incluir dois tão improváveis farrapos de poesia pop como "Were my pupils dilated? Could you tell that I liked you?" e "You kissed me on the forehead, now his kisses give me concussion". E, se isso – como acontece em My Maudlin Career – vier encadernado num dos raríssimos géneros de revisionismo estético que, contra todas as probabilidades, soa antigo, sim, mas não datado, então, trata-se, irremediavelmente, de um daqueles casos cientificamente designados como "tiro e queda".
O género em causa define-se por agregação de nomes próprios: Phil Spector, Ronettes, Tamla Motown, matizados por condimentos mais e menos contemporâneos como Beach Boys, Velvets ou Jesus & Mary Chain. E um ou outro sopro de kitsch-Nashville. Três anos após o suave desmaio de Let’s Get Out Of This Country, os gloriosamente melancólicos Camera Obscura continuam, como devem, requintadamente derivativos ou, talvez, se calhar, apenas classicistas. Não é para todos. Mas eles podem.
(2009)

4 comments:
Swans deixa-me instantaneamente feliz
You Told A Lie deixa-me instantaneamente apaixonado
músicas instantaneamente trauteáveis e equilibradas. gosto muito.
Já comprei, já comprei! A preço quase verde na fnac por "sugestão do vendedor".
Agora só falta habituar o cabeço do crianço.
O meu, às 8.15 h da manhã já rula a este som. E às 18.15 h tb: ajuda-me a não cuspir (peço desculpa) para cima dos condutores mal-educados.
Para já, alvíssaras aos Camera Obscura - espero que lancem brevemente o cover do Rod Stewart em outro novo cd.
Obrigada.
sophia
"A preço quase verde na fnac por "sugestão do vendedor"
Como é que é isso?
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