13 February 2008

NOVA IORQUE, NOVA IORQUE
(David Berman)



Estão a construir uma segunda Nova Iorque
um pouco a ocidente da antiga.
Outra porquê, ninguém pergunta,
construam-na, e eles controem-na.

A cidade ainda está fechada a todos
à excepção dos trabalhadores
que afirmam ser a exacta duplicação dela.

Em boa verdade, cada homem trabalha na réplica
do apartamento em que vive,
acrescentando-lhe pormenores,
perfumadores, jardins de rocha,
e puxadores de hotel de cinco estrelas.

Melhoramentos, aqui e ali, em segredo,
às escondidas. Nenhum inspector repara
ou se importa. Todos estão felizes,
divertem-se ou passeiam sobre as ruas paralisadas
que o único repórter autorizado descreveu como

"aliviadas dos despojos do complicado passado da velha cidade,
mas libertando um pouco do perfume azul dos primeiros anos na terra".

Os homens começam a gostar da cidade em paz.
Começa a ser mais difícil voltar para casa à noite,

o que volta a preocupar as esposas.
As sopas amarelas arrefecem, os pôres do sol apressam-se.

Os homens fazem longos descansos sobre as bocas de fogo,
e acenam através dos espaços imóveis aos outros trabalhadores
que meditam nos seus resguardos.

Até um dia...

(in Actual Air, ed. Open City Books, 1999; trad. J. Lisboa)

(2008)

8 comments:

menina alice said...

Porquê "duplificação"?

João Lisboa said...

Porque eu sou imbecil.

Thanx.

ND said...

foste imbecil? e eu não vi, ó que grande aborrecimento.

ND said...

era «Oh» e não «ó»

menina alice said...

GTBOA

;)***

João Lisboa said...

"foste imbecil? e eu não vi, ó que grande aborrecimento"

Tens toda a razão. Falhar um momento raro desses é imperdoável.

Alicinha, quando li GTBOA, por momentos, imaginei que me mandasses uma daquelas fotos catitas que, de vez em quando, postas no teu coiso.

menina alice said...

Das miúdas todas muito simpáticas? :D

João Lisboa said...

Sei lá... por exemplo.