23 September 2007

LOLLIPOP



The Concretes - The Concretes

Anti-rock, pro-pop. É exactamente assim que The Concretes se definem a si mesmos. O que, sendo compatriotas dos ABBA, só lhes pode ficar bem. Mas, aqui chegados, convém não começar já a tirar conclusões apressadas. Porque a variedade de pop a que este octeto "girl fronted" se dedica é algo que talvez só se possa definir como a música que os Mazzy Star produziriam naqueles momentos em que sonhavam verdadeiramente ser os Velvet Underground e estes, sabe-se lá porquê, se travestiam de Diana Ross & The Supremes. Confusos? Eu também estou. Especialmente agora que volto a escutar "Warm Night" e me ocorre que, num universo paralelo, teríamos aqui uma muito séria candidata à vitória no Festival da Eurovisão.



Um pouco mais estranho, quase a seguir, ainda será "Seems Fine", algo como os Dexys Midnight Runners em versão lollipop. Queiram fazer o favor de imaginar isto tudo, aqui e ali, envolvido por sumptuosas orquestrações dignas do mais clássico Walt Disney (mas, claro, tal como Phil Spector as poderia ter imaginado), suponham que "Lovely As Can Be" é um delirante labirinto psicadélico concebido por Berry Gordy e, não, ainda não andarão lá perto. Explorando o "enhanced CD", ao tropeçarem no clip "starring the leopard and his girlfriend", tudo ficará inevitavelmente um pouco menos claro. Como muitas vezes acontece nos melhores discos. A "Uncut" chamou-lhe "the best thing to come out of Sweden for a while — apart from porn" e eu não saberia dizê-lo melhor. (2006)



The Concretes - Hey Trouble *

Juntamente com os britânicos Camera Obscura, os suecos The Concretes constituem a mais legítima reencarnação contemporânea da fervilhante pop das “girl-bands” tal como Phil Spector as esculpiu na sua “wall of sound”: champanhe, frivolidade e serpentinas num bailado coreografado sobre uma cicatriz mal fechada.



(* tratamento injustamente telegráfico - fruto de circunstâncias sazonais - de um belo naco de pop, o que, no futuro, será eventualmente, reparado)
(2007)

5 comments:

Anonymous said...

Como é que reages à comparação dos camera obscura com a bela e o sebastião? É apenas um estereótipo?

João Lisboa said...

Franzo o sobrolho, bato impacientemente com o pezinho no chão, coloco os olhos em alvo e, finalmente, digo: "Podias desenvolver um pouco melhor esse ponto de vista?..."

(sem demasiada logorreia estética: uns divertem-me, os outros aborrecem-me de morte)

Anonymous said...

Desenvolver? http://www.cavalierdaily.com/CVArticle.asp?ID=18924&pid=1121

Eu nunca entrei na onda dos Belle e o que ouvi deles parece-me algo lânguido demais para o meu gosto. Já a pop rebuçado dos Camera agrada-me bastante - é muito quadradinha, porém o quadradinho faz sentido muitas vezes.

Bate o pé mas nunca relinches João! E não te estou a chamar nomes...

Anonymous said...

http://rockcriticsarchives.com/interviews/greilmarcus/01.html

um link curioso lol

João Lisboa said...

Vou ver isso tudo. Depois conto.