10 May 2018


"Falemos, por conseguinte, da questão colonial e do debate que se estabeleceu, nas últimas semanas, em torno da proposta de um Museu das Descobertas ou dos Descobrimentos. A ideia fez escândalo e sensação por causa do nome, gerou protestos, seguidos de um berreiro exaltado que desembocou em posições já antigas e conhecidas: a História de Portugal deve ser valorizada, glorificada, mitificada, e quem não contribui para dar o devido realce aos nossos heróis civilizadores é porque não gosta do País, pelo que não seria fora de propósito, na opinião de algum catedrático com uma estranha tendência para exibir o seu próprio ridículo, se essas pessoas nos libertassem do incómodo exercício de convivermos com elas, exilando-se noutro país, seguindo o exemplo de historiadores como Jaime Cortesão ou Vitorino Magalhães Godinho. (...) Parece-me que a própria ideia do museu salta por cima de coisas que, estando inexoravelmente ligadas, deverão ser resolvidas antes de mais nada. Refiro-me à toponímia colonial das nossas cidades, aos nomes que ainda decoram as ruas e que tresandam a bafio e a ranço, que tocam uma secreta vibração e repercutem filosofias e ideologias imbuídas de racismo (incluindo o racismo biológico, muito popular no final do século XIX e início do seguinte, que a coberto de teorias supostamente científicas sobre a desigualdade das raças apresentava os negros como inferiores e os brancos como superiores)" (a ler na totalidade na edição em papel da "Sábado")

Nota: recordar também, por exemplo, o caso "Felix Correia"

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