AN EVEN BRAVER NEWER WORLD
"Há técnicas [de assédio no local de trabalho] que são ensinadas, que fazem parte da formação em matéria de assédio, com psicólogos a fazer essa formação.
Uma formação para o assédio?
Exactamente. Há estágios para aprenderem essas técnicas. Posso contar, por exemplo, o caso de um estágio de formação em França em que, no início, cada um dos 15 participantes, todos eles quadros superiores, recebeu um gatinho. O estágio durou uma semana e, durante essa semana, cada participante tinha de tomar conta do seu gatinho. Como é óbvio, as pessoas afeiçoaram-se ao seu gato, cada um falava do seu gato durante as reuniões, etc.. E, no fim do estágio, o director do estágio deu a todos a ordem de... matar o seu gato.
Está a descrever um cenário totalmente nazi...
Só que aqui ninguém estava a apontar uma espingarda à cabeça de ninguém para o obrigar a matar o gato. Seja como for, um dos participantes, uma mulher, adoeceu. Teve uma descompensação aguda e eu tive de tratá-la - foi assim que soube do caso. Mas os outros 14 mataram os seus gatos. O estágio era para aprender a ser impiedoso, uma aprendizagem do assédio. Penso que há bastantes empresas que recorrem a este tipo de formação - muitas empresas cujos quadros, responsáveis de recursos humanos, etc., são ensinados a comportar-se dessa maneira". (Christophe Dejours, psiquiatra, psicanalista, professor no Conservatoire National des Arts et Métiers, director do Laboratório de Psicologia do Trabalho e da Acção, de Paris, em entrevista - vivamente aconselhada - ao "Público")
(2010)
31 January 2010
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11 comments:
Os meus três derradeiros gatos morreram nos últimos 5 anos (dois nos últimos dois anos). Aquele a que não pude assistir, o último, não creio que "às mãos" do veterinário. Acredito que "nas mãos". (O penúltimo foi nas minhas.)
Entrevista muito interessante. Conheço uma situação que não anda longe do que é descrito (e que para já se fica por uma baixa médica prolongada). No caso (no caso!), tão reles é a personagem agressora que o suicídio seria mais um "trunfo" - com as devidas aspas que espero retirem o mau gosto com que poderia ser interpretada aqui a palavra, pois os exemplos como os referidos na entrevista são graves - que lhe seria dado. E a falta de solidariedade de colegas nos momentos críticos é bem verdade - e, oh!, com que facilidade (muitos) colegas mudam de princípios em tão pouco tempo...
Quanto à avaliação, abordada no final da entrevista... Felizmente há muitos bons exemplos e sei também de avaliadores que não dormem bem por serem obrigados a cumprir o malfadado SIADAP.
PS: o recurso aos gatos, por aquele psicólogo, como ideia "limite" no estudo do comportamento humano lembra-me a marcação de roedores por alguns biólogos de campo que, mesmo existindo técnicas alternativas muito menos agressivas, marcam os ratinhos ou musaranhos cortando-lhes alguns dedos, de acordo com uma codificação estabelecida...
Um doce para Abril:
http://www.amazon.co.uk/When-That-Rough-Goes-Riding/dp/0571254446/ref=ed_oe_p/275-9646467-5448021
RL: falando só da avaliação, esse é um dos assuntos acerca dos quais não consigo manter durante muito tempo a mesma posição, i.e., tenho os proverbiais mixed feelings. Por um lado, sim, claro, sem dúvida, há que premiar os melhores e mostrar sinais evidentes de alerta aos piores; no entanto, recordo-me sempre que a avaliação é feita por "humanos, demasiado humanos" e isso, inevitavelmente, provoca-me calafrios. Pelo que, tendo a achar que a menos má das hipóteses - com todas as desvantagens que isso também possa ter - seriam as avaliações EXTERNAS.
O resto da entrevista é apenas um relato de selvajarias - lá está, "humanas, demasiado humanas" - várias.
Soso: na Amazon.co.uk está anunciado para 16 de Março
http://www.amazon.co.uk/When-That-Rough-Goes-Riding/dp/158648821X/ref=sr_1_2?ie=UTF8&s=books&qid=1264940279&sr=1-2
e na Amazon.com para 6 de Abril
http://www.amazon.com/When-That-Rough-Goes-Riding/dp/158648821X
... portanto, ao contrário do que seria suposto (1º nos EUA e, depois, no UK, ou, no máximo, em simultâneo)... vou investigar.
Subscrevo integralmente o comentário.
Amazon? Eu compro os meus livros na Bookdepository ou na Awesomebooks! Não aos portes!
Mas é em Março ou Abril?
Pelo que me é dado a perceber tem a ver com a editora: Faber and Faber - explicando que saia primeiro na amazon.uk
É, é isso; se comparares as datas do "Shape of Things to Come" entre as duas tb e chega à mesma possível conclusão.
Ok. Thanx.
A versão integral da entrevista está agora online aqui:
http://publico.pt/1420732
Mas o link anterior ainda continua activo.
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