17 June 2026

Claro, claro... era só o que faltava, a gebalhada ficar sem nutrientes...

16 June 2026

... foi como quando a Rússia 
invadiu a Ucrânia...

(e o taberneiro há-de fazer de Lukashenko)

15 June 2026

Daughters of Donbas - "Riddle"  
(Live in Lviv)


 Ukrainian Children — Stolen by Russia
 
 

14 June 2026

"Lá tout n'est qu'ordre et beauté, luxe, calme et volupté"  
(Charles Baudelaire de "L’Invitation au voyage" in Les Fleurs du Mal, 1857)
Luxe, Calme et Volupté - Henri Matisse, 1904.
UM INSTANTÂNEO DO MOMENTO
Não são muitas mas há que prestar-lhes atenção. Falo das referências ao facto de Katherine Priddy ter dedicado boa parte do ano passado a participar na digressão Flying With Angels, de Suzanne Vega. Não só lhe fica muito bem no currículo ainda curto mas absolutamente imaculado, como não será, certamente, inferior à sensação que, em 2018, experimentou ao saber que, na "Mojo", Richard Thompson considerara o seu EP de estreia, Wolf, o melhor disco que escutara nesse ano. Aprender com os mestres foi, pois, aquilo de que Priddy desejou prestar contas nos belíssimos The Eternal Rocks Beneath (2021) e The Pendulum Swing (2024). “Queria terminar este álbum com um ponto de interrogação”, disse agora Priddy à "KLOF Mag" a propósito do último These Frightening Machines. "Embora tivesse esperado ter tudo resolvido no terceiro álbum e na minha terceira década de vida, acabei por aceitar que talvez uma parte de ser humano seja ser uma obra em constante evolução". (daqui; segue)
 
 

13 June 2026

Vá lá... pelo menos, "sotor fascista", "sotor burro" ou "sotor maluco", para não magoar o "sotor taberneiro" (via MdO)

Edit (16:48) - ... entretanto...

12 June 2026

Revisões da matéria dada (LVIII)
 
 
Pieter Bruegel, o Velho - O País da Cocanha (1567)

11 June 2026

"Remenanuèch"
 
(sequência daqui) Logo na faixa de abertura, “Remenanuèch”, estabelece-se a tonalidade global com uma intensidade quase punk, narrando a domesticação de um drac (dragão) metamórfico. “Adissiatz Palhassonaira” conduz o diálogo vocal do duo para um território no qual cada cantora se ocupa de melodias e textos diferentes antes de convergirem numa micro-coda translúcida. “Au Nòst’ Casalòt” intensifica ainda mais a experiência com percussão como um metrónomo de metal corroído. “Jana D’Aimet”, última faixa e clímax absoluto do disco, é uma composição monstruosamente exigente em que passagens solenes irrompem em explosões vocais extáticas. Dufau e Fraysse gargalham, murmuram e uivam como se evocassem algo antigo e perigoso sob a superfície ardente da música. Produzido em conjunto com o visionário catalão Raül Refree, as Cocanha haviam imediatamente antes publicado o álbum 4132314 em colaboração com os catalães Los Sara Fontan e Tarta Relena, no qual prestam homenagem às trabalhadoras da antiga fábrica têxtil de Barcelona, Fabra i Coats: através de padrões numéricos de tecelagem, traduziram os números em estruturas rítmicas e frases melódicas, articulando-as com canções tradicionais de trabalho. A tal actividade muito pouco apreciada no Pays de Cocagne.

Recorde para o "Guinness" de criaturas a cabecear perante lenga-lengas repletas dos chavões patriótico-camonianos do costume e uma ou outra "resiliência"... e nem uma referenciazinha à gloriosa tribo dos gebos do ludopédio que, em breve, partirá para oh quão terríveis refregas!... 

 “Apenas o mastro em que a bandeira é hasteada e o vento. Nenhuma bandeira”

de música coral contemporânea

A 21 de Julho de 2023, as televisões estavam cheias com padralhada, o Sumo Patífice, "peregrinos", pessoas que "questionam", zombies, bola, surubas e social-fascistas. Como sempre.
 
Uma belíssima tradição zombie de raiz hispânica
... e rico historial anterior: I, II, III, IV      
Cocanha feat. Edredon Sensible - Flame Folclòre - Live
 
(sequência daqui) Flame Folclòre (terceiro álbum das Cocanha, após I Ès ?, 2017, e Puput, 2020) é uma obra inquieta e arrebatadora que transforma tradições ancestrais em algo ferozmente contemporâneo, impulsionado por ritmos hipnóticos, pandeiretas de cordas, percussões corporais e harmonias explosivas. É, pois, na matéria do próprio álbum que se encontra um duplo gesto artístico e político relevante: as representantes actuais da Cocanha original cantam integralmente em occitano (uma língua minoritária com cerca de 600 000 falantes que se estendem pelo Pays d’Oc, no sul de França, e chegam até aos Pirenéus e ao norte de Itália), durante muito tempo marginalizado pelo Estado francês, que o encarava como manifestação exótica, folclórica, e peculiar, mas sem qualquer importância. As Cocanha, porém, em vez de o tratar como folclore de museu, injectam-lhe urgência e vitalidade. A sua música torna-se "um acto de recuperação da língua, da memória coletiva e da tradição, uma força subversiva e libertadora: a alegria colectiva como acto político". (segue para aqui)

07 June 2026

Los Sara Fontán (en directe des del Museu del Ciment, a Castellar de n'Hug) 

"La proposta musical de Los Sara Fontán parteix del diàleg imaginatiu i sempre en constant mutació de la bateria i les bases d’Edi Pou i el violí i els pedals de Sara Fontán. El duet ha trobat a través de nombrosos concerts pel territori i l’estranger un espai elàstic per improvisar, modular i fer créixer les seves composicions. Però encara que la naturalesa del seu so parteixi del moment capturat en viu, Los Sara Fontán tampoc han defugit les possibilitats d’experimentar dins de l’estudi amb el seu debut Queda pendiente.
Numa manifestação de piroseira nostálgica, não podia faltar o lugar comum (ainda por cima erradíssimo!) da, ó da!... "sódade"... ("António José Seguro apontou ainda a palavra 'saudade' como exemplo da riqueza e singularidade do português"), teimosamente "intraduzível"
Hildegard von Bingen - The Marriage of the Heavens and the Earth by Catherine Braslavsky & Joseph Rowe
 

+ The Marriage of the Heavens and the Earth (Braslavsky/Rowe), na íntegra aqui

06 June 2026

Agora que parece que, de repente, toda a gente acordou apavorada com a AI, é capaz de ser a altura certa para:
 
Revisões da matéria dada (LVII)
 
Tecnologia (779 posts)produtividade (307 posts); tripalium (141posts)
 
Edit (07/06/2026) - exactamente há 10 anos, estávamos aqui 
(clicar na imagem para ampliar) 
 
"Starting in 1790 and ending in 1794, Grégoire had been studying the linguistic situation of revolutionary France. Through a survey, he had determined that France was divided into 30 or so languages and that the national language was only well known and used by 3 million or so of the nation’s 25 million inhabitants. These findings, as well as suggestions on policy to deal with it, were laid out in the Report on the necessity and means to annihilate the patois and to universalise the use of the French language. The findings were an utter shock to many in the revolutionary government and many governments to follow. This document would outline the justification for not just France’s policy towards language but towards the idea of multiculturalism as a whole. But what were the ideas Grégoire presents?" (daqui)
NO JARDIM DO PARAÍSO
Quando, após a Revolução Francesa de 1789, os revolucionários vitoriosos encarregaram o padre católico Henri Grégoire de estudar as línguas regionais, o seu relatório de 1794 tornar-se-ia a pedra angular das políticas que proibiam o uso de qualquer língua além do francês na vida pública, no ensino e nas escolas. Apesar disso, estas línguas continuaram a ser faladas nos bairros operários, nas fábricas, nas docas e nas zonas rurais fora de Paris. É, numa delas, o occitano, que, desde a sua formação em 2014, as Cocanha - isto é, Caroline Dufau e Lila Fraysse - têm vindo a reinventar a música da Gasconha, do Languedoc e dos Pirenéus, a partir do trabalho sobre fragmentos do repertório tradicional. E foi a partir do contacto com os Carmina Burana – essa opulenta colecção de poemas e canções de Goliardos, libérrimos monges devassos medievais – que tropeçaram na primeira referência ao País de Cocanha: uma terra imaginária de liberdade e abundância, "onde se prestava culto ao prazer e ao ócio, e o trabalho e a velhice eram desconhecidos". Algo como um jardim do paraíso pagão no qual, segundo se explica em Cocanha - A História de Um País Imaginário (de Hilário F. Júnior), "os cocanianos passam a vida a comer, beber e fazer sexo. A fundirem-se com a Natureza. Logo, a Cocanha não é uma festa qualquer, é um tipo especial, é a festa por excelência, uma orgia".  (daqui; segue para aqui)

"Diuré Samsir"

02 June 2026