(sequência daqui) Materia não se constroi em torno de clímaxes óbvios ou refrões instantaneamente memoráveis: uma primeira audição pode deixar a impressão de superfícies belas, mas enganosas; audições posteriores revelam quão cuidadosamente estas superfícies foram construídas. A mão de obra em acção era a mesma do álbum Something In The Room She Moves: Elizabeth Goodfellow, bateria, Devra Hoff baixo, Maia na flauta, Chris Speed no saxofone e no clarinete, Tashi Wada nos sintetizadores e Kenny Gilmore na coprodução, engenharia de som e mistura. As diversas peças começam a articular-se, e. ainda que aparentemente fragmentadas, vão revelando gradualmente uma intrincada arquitetura interna. Em última análise, Materia é um olhar curioso para o interior da oficina de uma das compositoras mais aventureiras da música contemporânea. Ao revelar o seu método e tratar as canções como conversas em curso, Holter cria uma obra complementar que se sustenta pelos seus próprios meios. É um disco no qual os fragmentos se transformam em novas formas, a experimentação permanece indissociável da emoção e até os mais pequenos gestos musicais podem conter mundos infinitos.
Um dos melhores que ouvi este ano.
ReplyDeleteVerdade.
ReplyDeleteGosta de Son Lux?
ReplyDeleteNão conheço.
ReplyDeleteÉ um projecto muito bom, com mapas perto de, por exemplo, Julia Holter. Son Lux tem ligações com Sufjan Stevens, que deve conhecer.
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