17 September 2026

 

"Materia 3"

(sequência daqui) Materia não se constroi em torno de clímaxes óbvios ou refrões instantaneamente memoráveis: uma primeira audição pode deixar a impressão de superfícies belas, mas enganosas; audições posteriores revelam quão cuidadosamente estas superfícies foram construídas. A mão de obra em acção era a mesma do álbum Something In The Room She Moves: Elizabeth Goodfellow, bateria, Devra Hoff baixo, Maia na flauta, Chris Speed no saxofone e no clarinete, Tashi Wada nos sintetizadores e Kenny Gilmore na coprodução, engenharia de som e mistura. As diversas peças começam a articular-se, e. ainda que aparentemente fragmentadas, vão revelando gradualmente uma intrincada arquitetura interna. Em última análise, Materia é um olhar curioso para o interior da oficina de uma das compositoras mais aventureiras da música contemporânea. Ao revelar o seu método e tratar as canções como conversas em curso, Holter cria uma obra complementar que se sustenta pelos seus próprios meios. É um disco no qual os fragmentos se transformam em novas formas, a experimentação permanece indissociável da emoção e até os mais pequenos gestos musicais podem conter mundos infinitos.

5 comments:

  1. Um dos melhores que ouvi este ano.

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  2. É um projecto muito bom, com mapas perto de, por exemplo, Julia Holter. Son Lux tem ligações com Sufjan Stevens, que deve conhecer.

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