29 April 2016


... mariquinhas... nem uns bufardos nem nada...
(o que faz falta é um Salazar!)


PC




O pavor “politicamente correcto” perante a possibilidade de ofender, chocar ou, sequer vagamente incomodar sensibilidades nacionais, étnicas, de género, religiosas, ideológicas ou outras, não só conduz ao patrulhamento da linguagem e de todo e qualquer acto potencialmente “infractor” como gera o reflexo de protecção obrigatória e imediata de todas as infinitamente vulneráveis vítimas, à mercê dos descuidados ou mal intencionados agressores. No ano passado, a Oxford University Press já tinha avisado os seus autores de livros infantis de que não deveriam utilizar linguagem que incluísse referências a porco e enchidos para que isso não perturbasse jovens mentes judias e muçulmanas e o parlamento sueco decidira poupar os/as seus/suas visitantes feministas ou islâmicos/as à visão do peito seminu da Juno do pintor barroco GE Schroder. Seria fácil alongar desmedidamente a lista mas bastará acrescentar dois exemplos muito recentes. Há cerca de uma semana, a propósito da descoberta, em Toulouse, de uma possível obra perdida de Caravaggio (Judite e Holofernes, aliás, um episódio bíblico), o site da BBC ostentava o aviso: “The paintings featured below depict a graphic image”. O que, depreende-se, não tardará a ser prática adoptada por centenas de museus possuidores de peças tão ou mais aterradoras.


A outra história surge a partir de "Community Of Hope", a primeira canção do novo álbum de PJ Harvey, The Hope Six Demolition Project: referindo-se ao que, com o fotojornalista Seamus Murphy, observara quando se deslocou à zona do Ward 7, de Washington, D.C., como “just a drug town, just zombies (...), the highway to death and destruction”, desencadeou uma instantânea vaga de indignação. Porque, ao fazê-lo, se tinha limitado a dar relevo ao lado socialmente degradado da área e não prestara a devida atenção ao projecto de requalificação Hope VI – em boa medida, apenas mais uma manobra de gentrificação e exclusão –, assim “ofendendo e rebaixando os habitantes locais”. Pior, nem sequer “procurara espaço para dar respostas ou propôr soluções”. O que, para além de demonstar que, mais do que o horror real, intolerável é a “má imagem”, provavelmente, acabará, um dia, por obrigar músicos, autores ou jornalistas defensores de pontos de vista controversos, a incluirem, juntamente com as denúncias, respeitosas propostas de melhoramentos.
Grande momento nacional da

FUTEBOL 
(modalidades olímpicas VI)




Ali Krieger - EUA

27 April 2016

WAKEBOARDING
(modalidades olímpicas V)


Dallas Friday - EUA

GINÁSTICA




Aly Raisman - EUA
... uiii... até mete medo: Menezes, Big MAC, Relvas (só falta o 44 para compôr o bouquet perfeito)!
Estive a ouvir com toda a atenção e posso garantir que não é esganiçada: é contralto ou, no mínimo, mezzo soprano


ENTRE OS ESCOMBROS 


Harriet Tubman foi uma negra norte Americana, ex-escrava e abolicionista que, no século XIX, participou em treze missões de libertação de escravos usando o Underground Railroad, uma rede de activistas anti-esclavagistas que oferecia o apoio indispensável à fuga para o Canadá. Na sua biografia, conta como "Wade In The Water" – um dos espirituais negros que eram utilizados na qualidade de mensagens cifradas contendo instruções acerca das precauções que deveriam ter no arriscado caminho para a liberdade –, avisava os fugitivos para preferirem rotas que atravessassem rios de modo a dificultar a perseguição pelos cães dos esclavagistas. Em "River Anacostia", a quinta canção de The Hope Six Demolition Project, de PJ Harvey, "Wade in The Water" é entoada segundos antes das primeiras palavras (e, no final, em jeito de coda): “Oh, my Anacostia – do not sigh, do not weep – beneath the overpass your saviour’s waiting patiently, walking on the water that flows with poisons from the naval yard”. Mas, aqui, o código refere-se ao Anacostia, afluente infecto do Potomac, em Washington, D.C., um dos três destinos (juntamente com o Kosovo e o Afeganistão) escolhidos por Polly Jean para a exploração dos últimos círculos do inferno contemporãneo. A leste do Anacostia, concentra-se a maioria dos bairros social e economicamente devastados da capital dos EUA: “this is just drug town, just zombies (...), the highway to death and destruction, South Capitol is its name, the school looks like a shit hole (…), here’s the old mental institution, now the Homeland Security base, here’s God’s Deliverance Centre, a deli called M.L.K.”



Acompanhada pelo fotógrafo, Seamus Murphy (com quem já colaborara, há cinco anos, em Let England Shake, e, no ano passado, no livro de fotos e poesia The Hollow Of The Hand), a decisão de viajar até esse amaldiçoado triângulo geopolítico decorreu da necessidade imperiosa de “cheirar o ar, tocar o solo e encontrar-me com as pessoas destes lugares. Recolher apenas informação em segunda mão seria distanciamento demais relativamente aquilo sobre que queria escrever”. Mais ou menos inevitavelmente, tal proximidade determinou que a maioria das canções fosse quase uma variação hiperrealista sobre o modelo enumerativo de "A Hard Rain’s A-Gonna Fall", de Dylan – “Fizzy drinks cans and magazines, broken glass, a white jawbone, syringes, razors, a plastic spoon, human hair, a kitchen knife and a ghost of a girl who runs and hides (…) they’ve sprayed graffiti in Arabic and balanced sticks in human shit, this is the Ministry Of Remains”, “I saw a displaced family eating a cold horse's hoof (...) Air drops were dispersed, I saw people kill each other just to get there first”, “At a junction on the ground an amputee and a pregnant hound sit by the young men with withered arms, as if death had already passed (…) A million beggars silhouettes near where the money changers sit by their locked glass cabinets” –, que tanto pode terminar à beira de citar Elliot (“These are the words written under the arch, scratched in the wall in biro pen, this is how the world will end”) como "Money, That’s What They Want" do bluesman Jerry McCain.



"Field report" de um mundo fracturado com velhíssimas feridas por cicatrizar, espécie de versão aterradora do registo documental dos movimentos humanos tal como os anjos caídos de As Asas do Desejo, de Wim Wenders, o praticavam, Hope Six, terceiro tomo da mudança de pele iniciada em White Chalk (2007), não se fica por esse testemunho do fedor da morte e das iniquidades do poder, da religião, da raça e da desigualdade: caminhando sobre terrenos (literalmente) minados, é também um potentíssimo ciclo de canções, ora coralmente empolgadas, ora incendiadas pelo sax pirómano de Terry Edwards, ora esculpidas em puríssima electricidade, ora tudo isso ao mesmo tempo. Com uma única advertência da repórter de guerra, Polly Jean Harvey, sintetizada em três palavras, escritas por entre os escombros: “Enough is enough”.

26 April 2016

The McLaren Westwood Gang 
(aka Anarchy! The Last Revolution)


"Phil Strongman’s new documentary Anarchy! McLaren Westwood Gang is a politically-fueled, fashion-conscious deeper look at how the English punk explosion was ignited — how the bomb was built and under what circumstances, in other words. Coming in at almost two and a half hours with an incredible cast of characters, Anarchy! McLaren Westwood Gang traces Malcolm McClaren back to his birth with loads of never before seen films and photos, personal information and interviews with family members, friends and others, taking us into the all important mid-sixties where the real nucleus of the Sex Pistols concept begins to form within the Situationist movement, King Mob (the UK equivalent), art school and observing the tribal customs and costumes of rock ‘n roll fanaticism (...)" (aqui)
Correspondência (postais)




Quantas eternidades serão necessárias para se compreender que aquilo que verdadeiramente importa é a formação de professores?

25 April 2016

 

Great Big Sea 
"Ballad Of Captain Kidd"
 


My name is Captain Kidd as I sailed, as I sailed, 
Oh, my name is Captain Kidd, as I sailed; 
My name is Captain Kidd and God's laws I did forbid, 
And most wickedly I did as I sailed. 

My father taught me well to shun the gates of hell, 
But against him I rebelled, as I sailed; 
He shoved a bible in my hand, but I left it in the sand, 
And I pulled away from land as I sailed (...).
LONDRES, MALI, AMÉRICA


The Parkinsons: A Long Way To Nowhere, de Caroline Richards, podia ser quase o cruzamento entre um filme de promoção do turismo da região Centro para segmentos de mercado “alternativos” e um dicionário exaustivo de clichés punk-rock: grupo de jovens roqueiros entediados com a pasmaceira de Coimbra (o fado, a Sé, o Mondego, a universidade mais antiga, capas e batinas, as Queimas) “onde nada acontece e as pessoas vão todos os domingos á missa”, emigra para Londres em 2000 e, num momento de ausência de "hype" mais à mão (o "britpop" tinha arrumado as botas), desfruta dos proverbiais quinze minutos de fama, preenchendo o vazio da nostalgia do punk por quem nunca o vivera. O guião estava já escrito e reescrito – ver em Pistols, Stooges, Cramps –, bastava carregar nos temperos: cuspo, vómito, nádegas e pilas ao léu, javardice generalizada em palco, “filthy cock rock”, a cena batida de adolescentes retardados a portarem-se mal. Em versão “pork and cheese”. Só porque sim. Até que, como seria inevitável, “a caricatura deixou de ter piada” e a breve história dos Parkinsons – com posteriores e fugazes regressos à vida – tinha chegado ao fim. O relato de Caroline Richards, é convenientemente (e também limitadoramente) hagiográfico mas, exibido em Portugal, inclui um bónus genuinamente punk: a legendagem, exemplo raro e superior de iconoclastia perante a ortografia, a sintaxe e as flexões verbais. 



Verdadeiramente interessantes na programação do IndieMusic são Mali Blues, de Lutz Gregor, e The Sad and Beautiful World of Sparklehorse, de Alex Crowton e Bobby Dass. Alegado berço dos blues, a oitava maior nação africana, predominantemente muçulmana, viu-se, desde 2012, sob a ameaça de uma revolta jihadista no norte do país apostada na imposição radical da Sharia. A qual, entre diversas outras aberrações civilizacionais, implicava a proibição da música, “tentação satânica que enche o coração de desejos lascivos”. É sobre essa maldição que, em Mali Blues, falam, cantam e dançam a magnífica Fatoumata Diawara, o griot, “maître des paroles” e virtuoso executante de ngoni, Bassekou Kouyaté, o rapper Master Soumi e o músico tuaregue Ahmed Ag Kaedy, por entre belíssimas imagens das margens do Níger, das estradas e ruas malianas e o imenso silêncio do deserto africano.



O filme de Crowton e Dass concentra-se na biografia de Mark Linkous, personagem trágica e entidade única por trás do "nom de plume", Sparklehorse, criatura da “rural America full of drugs and religion”, morto em 2010, quando, pondo termo a uma existência devastada por dependências e distúrbios mentais vários, disparou uma caçadeira sobre o coração. Num mosaico em que as peças vão sendo reunidas por companheiros e colaboradores como Jonathon Donahue e Grasshopper (Mercury Rev), David Lowery (Camper Van Beethoven), Jason Lytle (Grandaddy), Ed Harcourt, Adrian Utley (Portishead) e John Parish, emerge, pouco a pouco, a figura a quem devemos os incomparáveis Vivadixiesubmarinetransmissionplot, Good Morning Spider e It's a Wonderful Life
VINTAGE (CCCIV)

PJ Harvey - "Down By The Water"

22 April 2016

21 April 2016

Sinead O'Connor - "Nothing Compares 2 U" 
(Prince 1958-2016) 

"Preparem-se, professores, para mais trabalho, em ambiente de piolheira palavrosa, a somar às aulas e aos cargos, às provas que foram extintas mas podem ser feitas ao mesmo tempo das outras que, sendo facultativas, começam por ser obrigatórias. Preparem-se, ainda, que a cena está programada para os próximos três anos lectivos. E, sobretudo, preparem-se, mais uma vez, para serem os maus da fita, responsabilizados, no fim, pelo insucesso do combate ao insucesso" (Santana Castilho)

"Quand l'état t'enseigne a tuer, il se fait appeler patrie" (Friedrich Dürrenmatt)

(Boris Vian/Harold Berg - versão original)
 
Monsieur le Président
Si vous me poursuivez
Prévenez vos gendarmes
Que je porte des armes
Et que je sais tirer
Ella Jenkins - Wade In The Water"



"Because many slaves knew the secret meanings of these songs, they could be used to signal many things. For example, Harriet Tubman used the song 'Wade in the Water' to tell escaping slaves to get off the trail and into the water to make sure the dogs slavecatchers used couldn’t sniff out their trail. People walking through water did not leave a scent trail that dogs could follow" (daqui)
"Anti-slavery activist Harriet Tubman will be the first woman to appear on a US banknote for more than a century. Tubman, who was born a slave in 1820 and helped at least 70 people escape slavery, will feature on the new $20 bill, the US Treasury announced. She will replace former President Andrew Jackson, a slave owner" (daqui)

20 April 2016

Qualquer coisinha (muito poucochinha) de português (LIII)

Update noticioso sobre
alguns dos favoritos-PdC:


A farmacológica e não menos esotérica (mas precavida) Bial & a continuação de outro sobressalto;

A igualmente farmacológica Octapharma (do 44 Fan Club) & um valente sobressalto.
G. F. Telemann - Tafelmusik
Musica Amphion (dir. Pieter-Jan Belder)

E-Z 


No frenético vai-e-vem das recuperações, reavaliações e repescagens com que a indústria discográfica se entretém – e, através das quais, actualmente, tenta, pura e simplesmente, sobreviver – nenhuma terá sido tão inesperada e tão surpreendentemente interessante como a do “easy listening”/”muzak”/”elevator music”, na segunda metade dos anos 90 do século passado. Nem necessitava de se reivindicar de linhagem ilustre (de Bach a Telemann, Mozart, Satie, Cage ou Brian Eno), porque aquilo que o velho baú, há muito fechado, foi revelando valia por si mesmo: Les Baxter, Martin Denny, Ray Coniff, Burt Bacharach, Yma Sumac, Arthur Lyman, Juan Garcia Esquível (particularmente preciosos foram os cerca de 40 volumes da colecção Ultra Lounge, da Capitol) e inúmeros outros praticantes daquela música “sem qualquer assunto nem objectivo, semelhante a uma cadeira de repouso” sobre que Erik Satie e Henri Matisse terão divagado, não apenas demonstravam que existira vida musicalmente sofisticada antes do rock mas obrigavam também a redescobrir um universo sonoro francamente mais aventureiro do que muita música contemporânea.



A verdade, porém, é que esse movimento revivalista tivera, pelo menos, um antecedente notório: as duas E-Z Listening Muzak Cassettes publicadas, em 1981, pelos Devo, em exclusivo para o seu clube de fãs, e só seis anos depois, reeditadas em CD pela Rykodisc. Continham “Muzak versions of your favourite Devo tunes performed by Devo at a rare casual moment” e, nessa obliqua homenagem à empresa e conceito musical criados pelo brigadeiro George Owen Squier, despiam 20 peças do seu reportório (e "Satisfaction", dos Rolling Stones) até ao osso, como que numa ilustração sonora da sua “de-evolution theory”, defensora da ideia de que, em vez de continuar a evoluir, a espécie humana teria iniciado um processo de regressão evidenciado pelas disfunções e mentalidade de rebanho da sociedade americana. Agora empacotadas sob a forma de "box set" de dois CD ou dois vinis, curiosamente, o resultado a que os manos Mothersbaugh e Casale chegam não se situa demasiado longe daquele a que, exactamente pela mesma altura, em Cardiff, os Young Marble Giants (dos outros irmãos Moxham), em Colossal Youth e Testcard EP, tinham ido dar.

18 April 2016

O Ted Cruz ainda vai acabar por ser candidato a qualquer merda em Portugal (apesar de...)
György Ligeti – Artikulation (1956)



A queda de uma grande defensora da literatura e da língua portuguesas
Babes & snakes

Salma Hayek - From Dusk Till Dawn (real. Robert Rodriguez, 1996)

Debra Paget - The Indian Tomb (real. Fritz Lang, 1959; música de Martin Denny)


Debra Paget - The Indian Tomb (real. Fritz Lang, 1959; versão original)

16 April 2016

The Time Ted Cruz Defended a Ban on Dildos
("There is no substantive-due-process right to stimulate one's genitals for non-medical purposes unrelated to procreation or outside of an interpersonal relationship")

O CEO da Vaticano SA já
 escolheu os seus pobrezinhos

O Barahona Possollo (que também deve ajeitar-se com uma máquina fotográfica) tinha feito, de certeza, uma foto mais jeitosa

... e, na mesma onda do "não leu e gostou", eis, agora, a "arte poética e meditativa, espiritual, se quisermos" (quem é que lhe escreverá estas merdas?...)

13 April 2016

Morris On 
(Ashley Hutchings & friends) 


LSD's impact on the brain revealed in groundbreaking images:
  

O Capelão Magistral e Sua Arrojidade (por onde andará o Kaizer Albino?) tão tremendamente corrigidos que até dá vontade de lhes oferecer um miminho
Dog forbid

(ler aqui; via s + v)
NOT DEAD? 


O caldo de cultura dos irmãos David e Stuart Wise era o Situacionismo de Debord e Vaneigem, vitaminado pelo niilismo estético radical de Pisarev e pelo anarquismo norte americano do “Black Mask” de Ben Morea e dos UAW/MF (Up Against the Wall Motherfuckers), também inspirador dos Yippies de Abbie Hoffman, Jerry Rubin, Phil Ochs e John Sinclair – inserir aqui derivação para o White Panther Party – e da guerrilha urbana dos Weathermen. Foi aí que, em Londres, entre o final de 60 e início de 70 do século passado, ao cuidado dos Wise, germinou o colectivo insurreccional King Mob, semente de inúmeras acções de choque como a ocupação selvagem de espaços públicos e universidades, a publicação de listas de celebridades a abater, a vandalização de cadeias de "fast food", as campanhas de panfletos de BD "détournée" e graffiti – o mais célebre: “Same thing day after day - tube - work - dinner - work - tube - armchair - TV - sleep - tube - work - how much more can you take? - one in ten goes mad, one in five cracks up” – ou a distribuição gratuita de brinquedos no Selfridges por um Pai Natal delinquentemente generoso. Em 1978, David Wise escreveria The End Of Music acerca do incêndio punk (em fase de rescaldo mas ainda activo) no qual tivera papel destacado um tal Malcolm McLaren, “inventor” dos Sex Pistols e, pouco tempo antes, um dos activistas da operação Selfridges.



Há três semanas, Joe Corré, fiho de McLaren e Vivienne Westwood, na boa tradição familiar, fez explodir outra bomba: perante a declaração – por iniciativa do British Film Institute, British Library, Design Museum, Museum of London, Photographers' Gallery, Rough Trade e Roundhouse – de 2016 como o “Year of Punk”, anunciou que, a 26 de Novembro, em Camden, por ocasião do 40º aniversário de "Anarchy in The UK", dos Pistols, lançará fogo à sua colecção de memorabilia punk, no valor de 5 milhões de libras, declarando “O punk transformou-se numa peça de museu. As pessoas estão anestesiadas, sentem que já não têm uma voz. Desistiram de lutar por aquilo em que acreditam. Temos de rebentar com esta merda toda outra vez!” Os ventos, porém, não estão de feição para os “gangsters of the new freedom” e é assaz duvidoso que venha a encontrar muitos aliados: do lado de lá do Atlântico, no Queens Museum, de Nova Iorque, entre 10 de Abril e 31 de Julho, será exibida a exposição “Hey! Ho! Let’s Go: Ramones and the Birth of Punk”. Punk’s not dead?

11 April 2016

Deve, pois, concluir-se que, por exemplo, o gang Espírito Santo defendia apenas "o seu legítimo direito de propriedade contra governos que o põem em causa em vez de o defenderem", não é verdade?
Palmyra must not be fixed.
History would never forgive us

"Palmyra was in ruins before Isis occupied it and it is still in ruins today. That is the nature of ancient cities. Mycenae, Machu Picchu, the Roman Forum – none are complete, none pristine. Their atmosphere and poetry lie in their scarring by time, nature and history. (...) The Isis attack on Palmyra was not a counterfactual fantasy. It really occurred. This 21st-century tragedy is part of Palmyra’s history now. This too, for the sake of truth and as a warning to the future, must be preserved" (daqui)

Maya Deren - "At Land"
 (1944)


Eis o que deve ser considerado como terrorismo politicamente correcto

Grande, grande texto, Lenita Zhdanov!... Sissenhora! Com Cohn-Bendit e vídeo e tudo; só não compreendi aquilo do... "linguistês"... tem a ver com cunnilingus ou assim?
Nada de insinuações malévolas: o CSS leu isto e quis dizer ao 44 que ia pôr de lado uns milhõezitos para conservatórios e escolas de música
VINTAGE (CCCI)

Sparklehorse - "Home Coming Queen"

10 April 2016

Ao cuidado dos conservatórios e escolas de música portugueses: talvez não fosse má ideia terem uma conversinha com o porreiraço do Carlos Santos Silva e contar-lhe a história do Sergei Roldugin... não pode ser tudo para o 44!
Fatoumata Diawara - "Bissa"

Mais histórias sobre a selva londrina, gorilas russos e offshores

08 April 2016

Já tem mais de um mês mas nunca é tarde para, em caso de ser necessário contactar com pessoal de enfermagem, saber que deverá exigir-se declaração assinada em como não frequentaram conferências e workshops de "medicina" esogética e/ou outras trapaças afins
Elísio Summavielle, o menino órfão 
 (mas sempre de aventalinho)


Então, é metê-la já no cacilheiro para Lesbos e deixá-la lá entregue à sua sorte como os refugiados a sério
... pois, era exactamente isso


Edit: e, perante o "pedido de desculpa" - "A minha intenção não foi ofender" -, deverá recordar-se a Seabra e Pulido Valente que não terão o mínimo problema se o mandarem "para o caralho!"

07 April 2016

Até tinha muita piada


... e bons exemplos anteriores 
(I, II e III) não faltam
No fundo, apenas mais um caso *, entre vários, de fedelhos mal educadinhos que nunca chegaram a sair do pátio do recreio

* mas, na verdade, assusta... assusta muito que tal criatura possa ser ministro... da cultura! (ou, então, é o supremo elogio à democracia: qualquer um pode ser, realmente, ministro da cultura)
... e assim se explicam (sort of) algumas peculiaridades comportamentais do sapiens (sort of) do presente, a caminho do futuro
Para machão trauliteiro, a criatura (cujo brilhante CV e magnífica obra literária não devem, realmente, ser postos em causa), está um pouquinho adiposa de mais...

Radicais livres (XXXIII)

(le détournement XIII)

06 April 2016

O CEO da Vaticano S.A. nunca deveria visitar Lesbos, esse santuário da poucavergonhice sáfica!

Safo e Ariadne - French School (19th Century)

Edit 1: ... e... que merda vem a ser esta?... No mínimo dos mínimos, era cura pública e instantânea!... bençãozinhas, sem super-poderes, também eu, pá!!!

Edit 2: mas, então, o Chico já não é fofinho e super-fixe?

05 April 2016

POR ONDE COMEÇAR


Se costuma acreditar em tudo o que lê, é bem possível que tenha ficado convencido que, no último álbum, Painting With, os Animal Collective tenham optado por um matrimónio peculiar entre a variedade de psicadelismo que praticam e uma estirpe contemporânea do dadaísmo. No ano em que se comemora o centenário da inauguração, em Zurique, do Cabaret Voltaire (não confundir, por Zeus!, com a homónima banda britânica), e do primeiro Manifesto Dada, de Tristan Tzara, era um anzol que estava mesmo a pedir para ser engolido. A verdade é que, caso o tema lhe interesse, ficará bem melhor servido se ler Dada – Histoire d’une Subversion (de Henri Béhar e Michel Carassou, recentemente traduzido pela Antígona). Porque, no disco de Noah Lennox, David Portner e Brian Weitz – tal como não é a inclusão da frase “Le tout début d’une histoire est plus beau qu’un urinoir de Marcel Duchamp” que faz de Quinze Chansons, de Vincent Delerm, um espécime neo-dadaísta –, a única relação com “o jogo louco do vazio” de Hugo Ball, Picabia e Hans Arp, é o título da primeira canção, "FloriDada". Só isso.



E a também vastamente referida associação à estética-Ramones (a propósito: “Gabba gabba hey” será uma interjeição dada?) não foi senão a expressão do desejo de se imporem regras de brevidade e concisão, uma estratégia de estimular a criatividade através da aceitação de restrições. Para concluir a demolição do "hype" fabricado pelos media mais preguiçosos, acrescente-se ainda que, sim, Painting With foi gravado nos mesmos EastWest Studios onde decorreu a gestação de Pet Sounds, dos Beach Boys, mas tal só aconteceu porque outras alternativas não foram possíveis e não porque o trio sonhasse com a invocação da musa criativa de Brian Wilson. O que, neste particular, não impediu que – em linha evolutiva mais ou menos previsível – boa parte do disco soe ao que poderia resultar de uma sessão de estúdio dos Beach Boys sequestrados no interior de um jogo de vídeo e sob a influência simultânea de um generoso sortido de químicos e do hoquetus vocal medieval. Sob as condições ideais de temperatura e pressão, o que resulta é luminoso e multicolorido. Acerca do que sobra, a palavra a Portner: “I don’t even know where to begin, or how should I start these days”.