27 February 2014

LIMPAR O PÓ AOS ARQUIVOS (XIV)


Suzanne Vega - Beauty & Crime

Seis anos depois de Songs In Red And Gray, Beauty & Crime é o primeiro álbum de Suzanne Vega (vão desculpar-me, mas – fã é fã – não sou capaz de distanciamento crítico para enterrar a lâmina mais fundo...) não exactamente transcendente. É verdade que, às primeiras audições, aparenta não ser tão sedutor quanto, após um pouco mais de intimidade, acaba por se revelar. Mas – coloquemos o problema deste modo –, é francamente possível que, no conjunto da discografia da Vega que muito amamos, quase todos os álbuns incluam uma percentagem daquelas canções que fazem o planeta oscilar na sua órbita um bocadinho superior a este.



Claro que “New York Is A Woman”, “Pornographer’s Dream” (pode alguém ficar indiferente a tal gesto de oblíqua devoção perante Bettie Page?: “Who’s to know what she’ll show of herself, in what measure? If what she reveals or what she conceals is the key to our pleasure?”), “Edith Wharton’s Figurines” e “As You Are Now” (a superiormente difícil manifestação de amor maternal sem pisar o risco do embaraço: “I will take up all your tears, salty tissues through the years, spread them in the sun, to dry diamonds from each time you cry”) entram direitinhas para o cânone. Mas não há muitas mais. (2007)
St. Vincent - "Rattlesnake"
 
... e, depois, temos ainda de tolerar criaturas invertebradas a quem basta um tautau nos bastidores para virem a correr explicar-que-não-foi-bem-isso-que-eu-disse

A prova indiscutível de que este biltre não tem sombra de razão é que há quem lhe pague para escrever merdas destas
Ser "virgem aos 40" é "de reconhecido interesse público" (mas não ajuda lá muito a combater a baixa de natalidade)

Bardo de Ialta, Crimeia, louvando o extremismo-como-deve-ser (2005)
A PME do ramo da superstição que tomou conta do Quarteto garante que continuará a exibir obras de ficção (mas com Baraques, Déboras e tudo)
"Quanto a 1640, ou seja, o ano em que se deu a revolta que pôs fim ao Portugal dos Filipes, verificou-se que essa ruptura política foi acima de tudo o resultado algo imprevisível de uma série de tensões e de lutas entre facções, e não propriamente um inevitável movimento 'nacional' alimentado por sentimentos patrióticos. Tornou-se evidente que a conotação patriótica de 1640 foi adicionada depois de a revolta ter acontecido, um trabalho levado a cabo pela propaganda do período pós-1640, tendo em vista legitimar a rebelião, justificar a ruptura política e mobilizar a população para a guerra contra a Monarquia Espanhola. E percebeu-se, finalmente, que foi essa mesma propaganda que criou e difundiu a ideia de que Portugal tinha sido explorado pela Monarquia Espanhola durante 60 anos. (...)

Hoje sabemos que a ruptura portuguesa, longe de ser inevitável, foi o fruto de uma conjugação bastante imprevisível de factores e de motivações, e sabemos também que o seu principal motor não foi um sentimento nacional supostamente acalentado pelas massas. Está provado que, a par do grupo que liderou a revolta, muitos eram os lusos que pretendiam que Portugal permanecesse na Monarquia Espanhola, exigindo, porém, que a autonomia do seu reino fosse mais respeitada. A par deles sabe-se que existia, e que continuou a existir, um grupo que era convictamente a favor de uma maior integração de Portugal na Monarquia Espanhola. Por último, sabemos também que a maioria das pessoas era bastante indiferente em relação ao que se estava a passar, e que a muitos não repugnava continuar na Monarquia Espanhola, bem pelo contrário. Bastava dar continuidade ao que tinham feito nos 60 anos anteriores". (aqui)

26 February 2014

TRIVIALIDADES


A vicentina Annie Erin Clark só nos fala de coisas comuns. A banalidade do dia-a-dia (“Oh what an ordinary day, take out the garbage, masturbate”); o susto de, ao passear nua pelo deserto do Texas, tropeçar numa cascavel que escava buracos na areia “as if Seurat painted the Rio Grande” (quem nunca tiver pensado em pintores impressionistas quando, no estado de natureza, caminha por entre dunas e répteis, que atire a primeira pedra); a conversa nocturna com o fantasma do Black Panther, Huey Newton, provocada por uma dose legal de tartarato de zolpidem tomada em brava luta contra o jet-lag (acusem-na aqueles que jamais foram vítimas das imidazopiridinas); as mais que sensatas opções teológicas decididas sob o estado de paixão (“I prefer your love to Jesus”), por muito que Theodore Twombly, do Her, de Spike Jonze, insista que “falling in love is a crazy thing to do, It’s kind of like a form of socially acceptable insanity”; a universal culturinha digital voyeurista-exibicionista (“Digital witnesses, what's the point of even sleeping? If I can't show it, you can't see me”); a pura trivialidade, até, de atribuir o título St. Vincent ao álbum de alguém que assina com o "nom de plume" St. Vincent. 



O que torna tudo um pouco mais esquinado, contudo, é descobrir como isso é suposto acomodar-se no interior de uma gravação que se propõe como “a party record that could be played at a funeral” e onde o método de resolução de problemas se aplica na criação de objectos singulares e coerentes a partir de uma matéria-prima que pode começar em Bowie ou Stravinsky e prolongar-se por Prince, os Pantera, a tradição turca de Selda Bağcan e os Meters. O ponto de chegada – contornando, pelo caminho, os alçapões perigosamente próximos do prog-rock – haverá de ser aquela bissectriz equidistante da “acessible pop music and the lunatic fringe” que muito melhor do que quaisquer elucubrações, o videoclip de "Digital Witness" traduz visualmente: em cenário distópico construído de peças soltas da Metropolis, de Fritz Lang, e da Tativille, de Playtime, uma inquietante personagem (St Vincent), sonâmbula e robótica, inspirada em El Topo, de Jodorowsky, comanda, à distância, os movimentos sincronizados de um pequeno exército de "Untermenschen". “This is no time for confessing, I want all of your mind”, invectiva-os. Mas os riffs de sopros, irremediavelmente funky, proíbem a imobilidade da cintura para baixo.
Mas, no mercado da superstição, de acordo com os preceitos liberais, igreja não devia comprar outra igreja? (Ex: IURD lança OPA sobre os Jerónimos; Vaticano S.A. alambaza-se com o centro de negócios de Gaia)

Ler a propósito: 

Paco de Lucía (1947 - 2014)



(momento "qualquer coisinha de português - XIX" na caixa de comentários do "Público": "nem palavrinha sobre as raízes portuguesas do filho de Lúcia, portuguesa de Castro Marim?")
... e o San Francisco Gay Men's Chorus fez questão de saudar o marido da poetisa Silva com a vibrante interpretação de uma medley dos ABBA
 


If you change your mind, 
I'm the first in line 
Honey I'm still free 
Take a chance on me

(só mais um miminho)

25 February 2014

CIDADES (XXXVIII)

Kiev, Ucrânia, 2005






... há momentos em que a atracção pelas teorias da conspiração é irreprimível...

Deixe de ter dúvidas. Veja como o mundo é simples. Não canse a cabeça a inventar tonalidades entre o preto e o branco. Nós explicamos tudo. E temos sempre razão. Não vale a pena complicar. Os bons estão todos de um lado e os maus todos no outro. Pode ter sido uma invenção imperialista mas os filmes de cowboys mostravam a realidade como ela é. Apesar de tudo, é melhor não os ver. Leia-nos.
VINTAGE (CXCII)

Plopoplot Pot - ao vivo no Cais do Sodré (1991)

"A minha candidatura é evidentemente do bloco central e estruturante da esquerda portuguesa" (mas não dessa esquerda pelintra e pé-rapado que nos queria obrigar a andar de Renault Clio - verdadeira esquerda é a esquerda "da grande lealdade, capacidade política e rigor")
VINTAGE (CXCI)

The Flower Pot Men - "Lets Go To San Francisco"
(é só um miminho)

Não te esqueças de ir ao Castro!

É muito bonito ver que as homilias do Kaizer Albino dão fruto e que os valores da família mantêm-se viçosos
(ler em conjunto com I, II, III, IV, V, VI, VII)

24 February 2014

CIDADES (XXXVII)

Kiev, Ucrânia, 2005





Novos e excitantes desenvolvimentos relativos à trepidante disciplina científica da tricologia política
Cartaz oficial do Supergrass World Tour 2014

(ou "Compravas uma esferográfica a este gajo?" World Tour)
VINTAGE (CXC)

Anita Lane - "Do That Thing"



Confirma-se, é, mais ou menos, isto
Mestre, que me deixais taquicárdico!... "promiscuidade, sexo, perversão, escravatura, pena de morte, proletariado"... quanta turbação dos sentidos, quanto desassossego me incutis, quanta involuntária lascívia se me desperta por via desse lúbrico conúbio! Não fora acalmares-me com as dulcíssimas palavras "divórcio, aborto ou eutanásia só retoricamente libertam; de facto, matam", já não respondia por mim... 

O maravilhoso (e extraordinariamente simples) mundo a preto e branco do PêCêPê

23 February 2014

Assim de repente, vindas de onde vêm, exceptuando propostas - muito provavelmente, inconstitucionais - como a distribuição de preservativos furados e de pílulas anticoncepcionais homeopáticas, não estou a ver quais possam ser... *

"O Governo vai criar uma comissão para apresentar propostas para combater a baixa de natalidade"

* ... é verdade, há ainda a possibilidade de, by all means necessary, fazer o Benfica ganhar o campeonato 
De onde se deve concluir que o Renault Clio está fora de questão e que um governo PS/PSD/CDS é cada vez mais provável
Ó Machete, quem estende uma mãozinha ao Obiang, pode também, perfeitamente, mexer uns cordelinhos pelo Ianukovich, coitadito do homem...
Em merecida pausa retemperadora desde Setembro, a pedido de milhões de fãs espalhados por todo o mundo, o Supergrass World Tour regressa, finalmente, à estrada!



(+ "Público")

22 February 2014


"Educados na hipocrisia e na imoralidade pelo Catolicismo, na resignação e na dependência do Estado pelo Absolutismo e no desprezo pelo trabalho pelas Conquistas, os portugueses não se recomendavam à 'geração de 70'. A 'geração de 70', que veio a público numa época de recessão - provocada pela diminuição das remessas do Brasil -, não encontrava nada de redentor na sociedade que a Regeneração (de 1851) fizera. Para Eça ou para Ramalho, Portugal não passava de uma imitação da França, traduzida em calão ou em vernáculo. A grande obra de Eça, Os Maias, acaba na Avenida da Liberdade, uma triste cópia de um boulevard, com amargas considerações sobre o carácter postiço da civilização indígena e da classe média que se passeia na rua, ociosa e ridícula. (...)

Este paradoxo continua a acompanhar os portugueses. Por um lado, não há um cantinho da nossa vida que não se compare com a Europa e não há triunfo que não consista em encontrar semelhanças entre as coisas de lá e as coisas de cá. Por outro lado, os governos proclamam a nossa singularidade atlântica ou (nos casos de incurável loucura) mundial. O país balança entre um 'papel' na Europa, que não encontrou, e um 'papel"' em Angola, no Brasil ou numa selva qualquer da África ou da Ásia, que manifestamente o excede. De qualquer maneira, como lamentava Eça, nesta apregoada época de 'globalização', Portugal está 'desempregado'. Ninguém precisa dele e ele precisa urgentemente de sair da sua velha irrelevância. Imitando, sem imitar, claro. Como de costume e com os resultados do costume". (VPV)
VINTAGE (CLXXXIX)

Suzanne Vega - "(I'll Never Be) Your Maggie May"



I'll never be your Maggie May
The one you loved and left behind
The face you see in light of day
And then you cast away
That isn't me in that bed you'll find

I'd rather take myself away
Be like those ladies in Japan
I'd rather paint myself a face
Conjure up some grace
Or be the eyes behind a fan

And so you go
No girl could say no
To you

Or, there's the way I may appear
But that will change from day to night
Would you ever see within?
Underneath the skin?
Could I believe you had that sight?

And so you go...

I'll never be your Maggie May
The one you loved and then forgot
I'll love you first and let you go
'Cause it must be so
And you'll forgive or you will not

And so a woman leaves a man
And so a world turns on its end
So I'll see your face in dreams
Where nothings what it seems
Still you appear some kind of friend

And so you go...

21 February 2014

... mas diz que só aceita se não o obrigarem a andar de Renault Clio

Pergunta mal formulada: a correcta seria "a malta safa-se melhor se parecer de direita ou de esquerda?"
VINTAGE (CLXXXIII)

The Del-Byzanteens - "Girl's Imagination"

A solução é fácil, é fazer como o Maduro (não o Poiares, o outro)
Basta de opressão sobre o  povo pobre das berças! A Vaticano S.A. e a criativamente esterilizadora elite sulista, elitista e liberal não passarão!!!
"Each one of us is a set of shifting molecules, spinning in ecstasy. In the future, worn-out things will be made new again by reconfiguring their molecules"

"When you separate an entwined particle, and you move both parts away from the other, even on opposite ends of the universe if you alter or affect one, the other will be identically altered or affected"

"Oh boy, if all culture breaks down, I'm following them. They're my leaders, the women are the way to go"

"I despise hierarchical evaluation of culture. I go nuts when you say 'crime fiction is not an academically valid literature, or pop music vs classical music or whatever'" (Jim Jarmusch)

20 February 2014

Machete, pá, que te sintas "à vontade" sentado à mesa com gente desta, já começamos a ficar habituados; mas, por falar em "à mesa", convinha, talvez, ir pensando numa jaula para o acolher nas reuniões da CPLP

(Obiang em escuta telefónica)
Olha... são estes...
(caso exemplar de "falai no mau, 
preparai o pau")
Pussy Riot - "Putin will teach you how to love the motherland"



They will teach you in the prison camps how to cry and how to obey
Salute to the bosses, and hi, il Duce,
The constitution is lynched, Vitishko's in prison,
Stability, prison gruel, the fence and the watchtower
Putin will teach you how to love the motherland
E, a somar aos anteriores horrores, temos em vigorosa expansão os não menos ameaçadores "a que se propôs", "cumprir com" e "chamar de".
(curiosamente semelhante a cara de palhaço rico)
 

19 February 2014

UMA GARRAFA DE 50 DÓLARES


Com a profundidade de campo que trinta e tal anos de conhecimento do nicho ecológico ajudam a adquirir, Suzanne Vega, em recente entrevista à “Rolling Stone”, abençoa Laura Marling, mas encara a popularidade da nova encarnação da coisa folk de modo convenientemente distanciado: “É o costume. Os folk revivals vão e vêm, por isso, suponho que devia estar na altura de acontecer mais um”. Olhando para trás, porém, não resiste a comentar que a atmosfera dos clubes do Village, no tempo em que os frequentava, tinha muito pouco a ver com as tonalidades lúgubres com que surgem em Inside Llewyn Davis, dos Coen, e que o velho amigo Dave Van Ronk (inspiração para a personagem principal desse filme) se assemelhava pouco ou nada ao seu "ersatz" ficcional. O que mudou drasticamente foi o estado de saúde da indústria discográfica e a relação de Suzanne com ela. 



Aquando da assinatura do primeiro contrato com a A & M, em 1983, nos jantares de trabalho, recorda, “bebia-se vinho a 350 dólares por garrafa”; agora, depois de ter mudado de editora várias vezes e de, aterrorizada com a crise de 2008, ter gravado e auto-editado os quatro volumes da série Close Up nos quais revê reportório anterior (“De repente, pensei que, sem contrato com uma editora, poderia nunca mais ter trabalho. Muitos dos meus álbuns estão descatalogados. Um escritor não pode voltar a escrever os seus livros mas eu posso cantar de novo as minhas canções como forma de realizar dinheiro para o próximo projecto”), precisou de sete anos, para publicar o sucessor de Beauty & Crime, Tales From The Realm Of The Queen Of Pentacles. E podemos abrir uma garrafa, vá lá, de 50 dólares, porque a melhor Suzanne Vega – a que articula o idioma folk com a experimentação pop que ensaiava em 99.9F° – está aqui intacta: "Don’t Uncork What You Can’t Contain" sampla as cordas “arábicas” de 50 Cent, em "Candy Shop", para recontar o mito de Pandora, "I Never Wear White" (“I never wear white, white is for virgins (...) my color is black for the crone and the bastard”) saca um riff de pôr Keith Richards verde de inveja, "Laying On Of Hands" poderia ser de Cohen (“Mother Theresa understood the laying on of hands, what I often wonder is how she kept from hearing love’s demands”), "Jacob And The Angel" descola sobre tricô rítmico de palmas e baixo e as restantes seis voam sempre muito mais alto que a indústria que a ignorou.
 
Há já muito tempo que nesta latrina
& tal... (último episódio)









Members of Pussy Riot including Nadezhda Tolokonnikova (front left) and Maria Alyokhina (front right) performed in Sochi earlier on Tuesday
Era, afinal, uma vil calúnia: nunca seriam chaimites e cravos mas sim a escultura de um Super-Cristiano Ronaldo, feita com alheiras de Mirandela, chutando uma bola gigante de queijo limiano contra um quartel do Carmo em massapão multicolorido

17 February 2014

MLER IFE DADA - CCB 14.02.14 
(sequência daqui)







Suspension of disbelief





Como é boa e bela a separação entre Estado, Vaticano S.A. e família Dauerling!... (novos capítulos)
 
Não entrando pelo domínio da cardiologia que me é estranho, perder um músculo daquele tamanho e tão bem acondicionado no tórax, só poderá ter sido provocado, quiçá, por pavores primordiais



(O 4º ANO A SEGUIR AO) ANO DO TIGRE (CVII)

Evidentemente!... Quem quer ser 4º (nem sequer um lugarzinho no pódium e o 2º já é só o 1º dos últimos) quando podia, facilmente, ser medalha de ouro?
Olha, Machete, que, lá fora, não consigas controlar as coisas ainda se percebe; mas não teres aprendido nada com o Relvas e permitires que, por cá, andem a aborrecer os patrões com notícias destas é que não tem desculpa

16 February 2014

Rachael era uma máquina mas uma máquina que ainda possuía um corpo: 



Samantha é apenas pura voz desencarnada:



“Falling in love is a crazy thing to do... It’s kind of like a form of socially acceptable insanity”. A paixão dos humanos pelos seus fetiches tecnológicos - bem-vindo ao século XXI, Pigmaleão! - já é, ainda que desesperadamente romântica, perigosamente "borderline".
Mas têm também a noção de que, embora não parecendo, é mais um passo decidido numa claríssima direcção, não têm?
VINTAGE (CLXXXII)

Suzanne Vega - "New York Is A Woman"



New York City spread herself before you
With her bangles and her spangles and her stars
You were impressed with the city so undressed
You had to go out cruising all the bars

Your business trip extended through the weekend
Suburban boy here for your first time
From the 27th floor above the midtown roar
You were startled by her beauty and her crime

And she's every girl you've seen in every movie
Every dame you've ever known on late night TV
In her steam and steel is the passion you feel
Endlessly
New York is a woman she'll make you cry
And to her you're just another guy

Look down and see her ruined places
Smoke and ash still rising to the sky
She's happy that you're here but when you disappear
She won't know that you're gone to say goodbye

And she's every girl...
Política de austeridade


Se isto não é poesia, 
onde está a poesia?