30 June 2013

A JOKE A DAY KEEPS THE DOCTOR AWAY (IV

O ÚNICO FACHO BOM É UM FACHO MORTO

COMEÇA AMANHÃ MAS AINDA HÁ MUITAS 
DÚVIDAS QUANTO À DECORAÇÃO
(fazer as marcações com o secretário) 








VINTAGE (CLI)
 
Martha & The Vandellas - "Heatwave"

BO, MAS QUE MERDA VEM A SER ESTA?

A JOKE A DAY KEEPS THE DOCTOR AWAY (III

29 June 2013

O MAU OLHADO (PRÉ-ANUNCIADO) E AS SUAS (NÃO IMPOSSÍVEIS) CONSEQUÊNCIAS FUTURAS

"A troika viu com maus olhos a negociação de Nuno Crato com os sindicatos dos professores"

(e, já agora, seria interessante saber se os famigerados 4,7 mil milhões também foram "tirados do cu")

28 June 2013

ESTÚPIDO, INÚTIL E PERIGOSO

I SHALL SAY THIS ONLY A MILLION TIMES
 

Vermeer's women play music, and the music is sexual. (...) Another woman sits at a virginal; a prostitution scene hangs on the wall behind her.
 
In his painting The Music Lesson, a man stands by while a woman plays the virginal. The tension between them is understated, yet electric. Their stillness and apparent coldness intensifies the sexual drama. The room they stand in is a deep pool of light and shade, where an ultramarine chair and blue-tinged shadows fill the atmosphere with ambiguity.

27 June 2013

Foi muito tranquilizador ouvir o coiso da UGT declarar que (vade retro!) não queremos por cá turbulências como as do Brasil e o Roberto Arménio Carlos a jurar que óbalhamedeus!... não tem nada a ver com tentativas de bloqueio da ponte
VINTAGE (CL)
 
Lou Reed & Elvis Costello - "Perfect Day"



Just a perfect day
Drink sangria in the park
And then later
When it gets dark, we go home

Just a perfect day
Feed animals in the zoo
Then later a movie, too,
And then home

Oh, it's such a perfect day
I'm glad I spend it with you
Oh, such a perfect day
You just keep me hanging on
You just keep me hanging on

Just a perfect day
Problems all left alone
Weekenders on our own
It's such fun

Just a perfect day
You made me forget myself
I thought I was
Someone else, someone good

Oh, it's such a perfect day...
        
You're going to reap just what you sow
Nada temas, pá, decora estas palavras: Kristal Universiteti. Em Tirana. É um pulinho. 

26 June 2013

AS MÁQUINAS DA ALEGRIA


Em Agosto de 2010, Ray Bradbury tinha 90 anos e Rachel Bloom 23. Mas, fiel aos seus princípios (“A primeira coisa que, verdadeiramente, me atrai é a inteligência. E os escritores são o pináculo da inteligência. Os actores podem ser óptimos e bonitos mas os escritores criam mundos novos a partir de nada. O que há de mais sexy que isso? Francamente, não entendo como é que toda a gente não namora com escritores”), Rachel – "stand-up comedian" e ex-estudante de teatro da Tisch School of the Arts, na New York University – não hesitou em escrever uma canção e gravar um videoclip em que, parodiando o conceito e a coreografia de "Hit Me Baby, One More Time", de Britney Spears, dançando e cantando nos corredores e salas de aula do colégio católico de St. Cecilia, em Brooklyn, declarava muito graficamente a sua desmedida paixão pelo enorme autor de literatura fantástica, suplicando-lhe "Fuck Me, Ray Bradbury". Era uma (im)puríssima canção pop, um video impagável – Bradbury, que morreria em 2012, ainda o viu e... aprovou – e, muito justamente, foi nomeada para os prestigiadíssimos Hugo Awards (prémios para obras de ficção científica e fantasia) na categoria de Best Dramatic Presentation/Short Form.



Da BD ao teatro, televisão, rádio e cinema (Truffaut pegaria em Fahrenheit 451, a que Rachel Bloom certamente um lapsus linguae chamou Fahrenheit 69”), foram inúmeros os encontros imediatos da obra de Ray Bradbury com a cultura popular. Que, em matéria de música, tanto passariam pelo autoexplicativo The Cult Of Ray, de Frank Black, como por "Rocket Man", de Elton John e Bernie Taupin, e, agora, The Machineries Of Joy, dos British Sea Power, inspirado pela colecção de contos homónima de 1964. Yan Scott Wilkinson, compositor e guitarrista do grupo, não espera que lhe perguntem para, espontaneamente, confessar que “por muito que tente fugir-lhe, estou sempre a regressar a Ray Bradbury”. No anterior Valhalla Dancehall (2011), em "Georgie Ray", juntara-o com o paladino da “common decency”, George Orwell, (“Before this day is cemented, in memory of Ray, can we all do something, instead of pray, and it was good how Georgie warned us, it was good what Georgie said, ‘It's kind of unbelievable how we're not all dead’") e se, neste último álbum, a referência ao escritor é apenas obliqua, há que saber identificá-la nos detalhes. 



Por exemplo, no video da canção título, que, instantaneamente, se deixa associar à sequência de abertura de Donnie Darko – cujo argumento Bradbury não assinou mas poderia muito bem tê-lo feito – e, por aí mesmo também, via-"The Killing Moon", aos Echo & The Bunnymen, distantes antepassados desta colectividade de Rough Traders de longo curso (dez anos de discografia), nada avessa a corais búlgaros, dívidas estéticas aos Velvet Underground, mini-sinfonismos à la Vaughan Williams, e, em palco, "cumbrian wrestlers", cenografias silvestres e ursos (pardos ou polares, na modalidade Ursine Ultra-máscara-com-humano-dentro). Tudo coisas que nunca farão deles os próximos U2 mas que, devidamente lidas – “We are magnificent machineries of joy, and then some, you are a vision of extraordinary contortion, an athletic form of warm distortion” – nos deveriam fazer levantar do sofá.
"A Matemática é daquelas disciplinas em que tem que se estudar todos os dias. E nós não estamos propriamente em idade de estudar", diz a Ana Rosa, aluna de Matemática do 12º ano sobre cujo exame de ontem a professora Alexandrina Fernandes opinou que "mesmo para quem se manteve fiel ao estudo diário, o exame de ontem obrigou a pensar". Pode ser que, lá para os 40 anos, quando já estiver em idade de estudar, a Ana Rosa esteja também imunizada em relação a essa intolerável violência que é pensar. (citações retiradas do "Público" de hoje)

25 June 2013

"Os representantes do movimento operário, essa defesa do 'operário honesto', nunca gostaram dos fora-da-lei; em geral, condenaram-nos explicitamente. Nada de soluções individuais e nada de pôr em causa a necessidade de trabalhar! A aversão a essa atitude, que apenas pede estábulos mais limpos e gamelas mais cheias e que se prolonga hoje na cidadania indignada e nas petições respeitosas dos ecologistas de Estado - insistindo sempre no 'respeito das leis' e na 'não-violência' - fez cair alguns no romantismo da ilegalidade que não é senão o complemento dialéctico do legalismo" (do prefácio de Anselm Jappe para O Instinto de Morte: Autobiografia De Um Fora-Da-Lei - Jacques Mesrine)



Nous sommes tous des Charles Manson, 
Mais nous n'avons tué personne, 
Pas une seule Sharon Tate, 
Tout s'est passé dans not' tête. 

Nous sommes tous des Charles Manson 
Du Val d'Oise jusqu'à l'Essonne, 
Nous sommes tous des Charles Manson, 
Si Dieu existe... qu'il nous pardonne ! 

Nous sommes tous des Jacques Mesrine, 
Mauvais garçons ... fils de bonne famille, 
C'est vrai qu'on a vu trop de putain de films 
Où le bien et le mal c'est du marketing, 

Nous sommes tous des Jacques Mesrine, 
Des Hauts-de-Seine jusqu'aux Yvelines, 
Nous sommes tous des Jacques Mesrine, 
Mais y penser n'est pas un crime !
 

Previsível e típico: recuperando a - preciosíssima - utilidade que chegou a estar em risco, deixa-se a responsabilidade de sujar as mãos na assinatura de um acordo para um sindicato inexistente (na cara do qual, ao primeiro pretexto, não custará nada ao Ministério rasgá-lo), desmobiliza-se as hostes e aceita-se "aquilo que o senhor, bondosamente, nos quiser dar"
EVIDENTEMENTE! (NINGUÉM GOSTA DE EXIBIR AS VERGONHAS)

POIS, POIS, MAS... E ISTO?

("Expresso" de 22.06.13)

23 June 2013

Depois da praga do "sair da zona de conforto", segue-se a do "pensar fora da caixa"? Ainda não repararam que, ao repetir, em rebanho, até ao vómito, "pensar fora da caixa", nunca sairão de dentro da caixa?
STREET ART, GRAFFITI & ETC (CXI)

Lisboa, Portugal, 2013

"(...) A troika ir-se-á embora fisicamente em Junho de 2014. Haverá festas, champanhe, foguetes e o governo usará essa saída da troika como um dos escassos trunfos eleitorais que tem para 2015. Mas, fora da propaganda, nem a troika se vai embora, nem os objectivos do memorando foram conseguidos. Aliás, a enfâse no pós-troika significa isso mesmo: a constatação do falhanço do memorando, de que nenhum objectivo nem do défice, nem da dívida, foi cumprido, contrastando com o zelo “para além da troika” na austeridade dos trabalhadores e pensionistas, e nas leis laborais, no desmantelamento do estado e parcialmente nas privatizações. (...) 

"Em vez de ter periodicamente o espectáculo da submissão, com o espavento da chegada ao aeroporto, das idas aos partidos, à Assembleia, ao Presidente e às instituições, uma outra troika invisível nos inspecionará na mesma de um ou vários gabinetes em Bruxelas e Frankfurt. Para isso, exige-se um governo de ocupação e partidos colaboracionistas, que aceitem o mesmo tipo de supervisão alheia sobre o parlamento português, sobre a liberdade dos partidos e das eleições. Este é que é o problema do pós-troika e é eminentemente um problema político e de soberania". (aqui)
IDEIAS MUITO CLARAS

"Fiquei excelentemente impressionado, somos camaradas, ambos de esquerda, tem um pensamento muito claro sobre o que se está a passar" (Mário Soares sobre Dilma Rousseff, "Público", 11 Junho 2013)

"Ela [Dilma Rousseff] não tinha ideia nenhuma do que se ia passar. Eu também não" (Mário Soares sobre Dilma Rousseff, "Público", 23 Junho 2013)

22 June 2013

BRITISH SEA POWER - "WHO'S IN CONTROL?"
 


Oh, were you not told
Do you not know
Everything around you is being sold
Do you not care?
Were you not there?
Everybody else was going spare
What's yours and mine
Does this escape you all the time?
Sometimes I wish
Protesting was sexy on a Saturday night

So would you ever, would you ever
Go down, down, down, down
Fight, fight, point and stand
Point and stand and fight
Over here
Over there
Over here
Every-fucking-where

I just don't know
Who's in control
Please, no, don't say
It could go either way

It's militant
Not military
See we welcome everybody
We're not even scary
I'm a big fan
Of the local library
I just read a book
But that's another story

Yours and mine
They get mixed up all of the time
I wish sometimes
Protesting was sexy on a Saturday night

So would you ever, would you ever
Go down, down, down, down
Fight, fight, point and stand
Point and stand and fight
Over here
Over there
Over here
Every-fucking-where

I'll never be
I'll never see
I'll never be
What you want me to be

I just don't know
Who's in control
Please, no, don't say
It could go either way

Over here...
CHEGA DE ABUSO, DIZ ELE
 


Se eu mandasse neles, 
Os teus trabalhadores
Seriam uns amores
Greves era só 
Das seis e meia às sete
Em frente ao cacetete
OMNÍVORO 


Aos 10 anos, ser convidado para o alpendre da casa de Albert Einstein, em Princeton, e – com ele ao violino e o infante dando uso às cordas vocais – ambos se entreterem a multiplicar a massa pela velocidade da luz ao quadrado, obtendo a suave energia musical de "Stille Nacht", não é coisa que deva ter acontecido a muita gente. Mas também não existirão muitas criaturas que, 60 anos após tal episódio, possuam um cartão de visita semelhante aquele onde se lê: “O Sr. Van Dyke Parks pede perdão pelo seu comportamento na noite de (inserir a data) e lamenta sinceramente qualquer prejuízo ou embaraço que possa ter causado”. O que até nem é, de todo, impossível quando reparamos que o afável cavalheiro com pinta de académico reformado não se ensaia nada para, numa entrevista, declarar: “Gosto da música de tipos brancos mortos. Gosto de música clássica. Gosto de música popular. Gosto de todos os géneros de música boa. No avião para cá, ouvi as valsas de Chopin todas. Para mim, bem melhor do que um fellatio. O que é dizer muito”



Pura verdade. Quero dizer, Van Dyke Parks gosta, de facto, do mais amplo leque de músicas. E isso nota-se bastante: desde aqueles com quem colaborou (U2, Frank Black, Laurie Anderson, Harry Nilsson, Phil Ochs, Ry Cooder, Tim Buckley, Randy Newman, Frank Zappa, e a lendária partilha da autoria de Smile, com Brian Wilson) à sua própria obra de que o tríptico inicial – Song Cycle, 1967, Discover America, 1972, Clang Of The Yankee Reaper, 1975 – foi reeditado o ano passado, o que sobressai é o perfil de um compositor versátil e avidamente omnívoro, tão à vontade com a tradição popular norte-americana (branca e negra), como com o modernismo orquestral dos Bernstein, Ives, Gershwin, ou do seu professor, Aaron Copland, que lhe explicou que “música americana é toda a que é escrita na América”.

  
Songs Cycled, o seu último álbum (apenas o sétimo, seguindo-se a Orange Crate Art, de 1995, assinado a meias com Brian Wilson), demonstra-o exuberantemente mais uma vez: como um pintor paisagista que, primeiro, se aplicasse a representar detalhadamente cada nervura de cada folha e, um por um, os grãos de pólen de cada estame, e só depois se preocupasse com questões de perspectiva, luz ou escala, Parks – operando num universo paralelo onde o rock’n’roll nunca existiu e Busby Berkeley é presidente dos EUA – pula agilmente de uma versão para "steel band" de "Aquarium" (do Carnaval dos Animais, de Saint-Saëns) para um gospel e, daí, em gincana pelo meio de quartetos de cordas, banjos, acordeões e bissectrizes improváveis entre a Argentina e o Havai, fiel à sua convicção de que “a canção é a ferramenta política mais poderosa disponível”, dispara sobre "Wall Street" pós 9/11 (“There is nothing but ash in the air, confetti all covered in blood”) devidamente antecipada por "Money Is King" e "Black Gold" (alusão à maré negra do petroleiro Prestige, em 2003, primeira intervenção em defesa da lusa pátria da residente de Fátima, segundo Paulo Portas). É assaz previsível que, como os anteriores, irá passar despercebido. Nada de grave: “Quando Kennedy foi morto apercebi-me de que a fama pode ser muito incómoda. E o tempo deu-me razão”.

21 June 2013

EXCLUSIVO: novas e recentes provas (Viena, 20.06.13) do escândalo de feição tricológica há cerca de um ano aqui denunciado!
 


Não deve tardar muito que Portimão receba também um Europe Business Assembly Award (até porque os contactos com Bollywood - sob a supervisão de Paul Doors - devem estar bem encaminhados e artistas talentosos e originais não faltam)

("CM")
Estado descobre o elixir da longa vida



"A orquestra são os sons da cidade. Não tens um microfone, não tens um instrumento, não tens nada. É uma orquestra no sentido em que é um conjunto de 100 pessoas que se juntam, de várias áreas, de várias origens, de vários estilos, de vários backgrounds, para participar e experimentar tocar sinos e barcos. É uma orquestra improvisada assim como eu vou estar a dirigir e portanto serei maestro desta orquestra. Mas eu não sou maestro nem isto é uma orquestra. (...) 

Tu vais ouvir os barcos e os sinos a tocarem uma coisa escrita, composta para soarem entre eles, composta para fazerem uma peça musical coerente. Mas depois a própria cidade vai retirar essa coerência. Ao minuto três, vai parecer que estás a ouvir barcos a apitar no Marquês de Pombal e que as igrejas estão no meio do rio, por causa dos efeitos. Nós damos a afinação, a ideia, a tonalidade, a textura. A cidade dá a cadência, o ritmo, o swing. (...) Esta partitura é uma utopia em si mesma, com vida própria, porque por mais que te esforces não vais conseguir controlar a composição e a partitura. A utopia vira 'epifonia', uma epifania de som". (aqui + aqui)
E "CURA IMBECIL", NÃO HÁ?

20 June 2013

DEBORAH HARRY






VÁ LÁ SABER-SE PORQUÊ MAS, HOJE, O "PdC" FOI LITERALMENTE INVADIDO POR FÃS DA NAJAT VALLAUD-BELKACEM

E, AGORA, ALGO COMPLETAMENTE NOJENTO
Mestre, mestre, grande mestre, já está a par do argumento da sarapitola?

LISURA3
 




... e, pelo meio deste perfumado labirinto de links (em particular, através deste que conduz aqui), se descobre o local onde o injustamente esquecido Relvas poderá resolver o seu probleminha: a Kristal University, de Tirana, na Albânia
IMAGINATIVAS HISTÓRIAS DE MARAVILHA E ASSOMBRO COM ALGUNS DOS MAIS ILUSTRES AUTARCAS LUSOS, MALTA FINA (E FIXE) DE OXFORD, GOESES, SUL-AFRICANOS E TUDO O MAIS QUE VIER À REDE, BEM DEMONSTRATIVAS DE COMO O PAÍS DOS ZEZÉS É JÁ O MUNDO INTEIRO

"Eu sou o 18º ou o 19º?" 
(e outros desopilantes momentos de divertida galhofa - ou como o marido da poetisa Silva possui um natural e espontâneo talento 
para a ópera buffa)


... e mais dois óptimos momentos de "comic relief"
JAMES GANDOLFINI (1961 - 2013)

19 June 2013

Repetindo: claro que há jurisprudência 
de sobra! 

... mas... mas... então... agora... já não é "abrir um grave precedente" (e roubar um dia de estudo aos pobres infantes que irão ficar irreversivelmente traumatizados)?!!!...
PAÍSES IRMÃOS


1, 2, 3, 4 provas de amizade.
É interessante como a concentração nos detalhes e nas picardias de fedelhos impede de reparar que, desde há quase duas semanas, as reuniões de avaliação vão sendo sucessivamente adiadas (há já turmas que vão na 4ª remarcação)

Edit: não sendo, porém, garantido que não haja quem pense em roer a corda... 

Tielman Susato - "Pavane La Bataille"

Joculatores Upsaliensis

Early Music Consort Of London (dir. David Munrow)
 
Sinfonisches Blasorchester Mannheim
Um marçano a sonhar com um supermercado



 
"M. Barroso (...) semble avoir des visées beaucoup plus personnelles. Depuis huit ans, le président de la Commission s'est distingué par sa ductilité. Défenseur des petits Etats lorsqu'il était premier ministre du Portugal, libéral lors de sa nomination à Bruxelles avant la crise de 2008, sarkozyste sous la présidence de Nicolas Sarkozy, incapable, depuis, de la moindre initiative politique pour relancer l'Union, il a accompagné le déclin des institutions européennes. Aujourd'hui, à 57 ans, ce caméléon se cherche un avenir. A la recherche d'un beau poste, à l'OTAN ou aux Nations unies – qui sait ? –, il a choisi de flatter ses partenaires anglo-saxons, le premier ministre britannique et le président américain. A la tête de la Commission, M. Barroso aura été un bon reflet de l'Europe : une décennie de régression"
A brasileira Carla Dauden é directora de fotografia e vive nos EUA. Farta dos que dizem que vão ao Mundial de futebol sem saber o que se passa no Brasil, decidiu mostrar no YouTube quanto custa a organização da Copa e o cenário do país que a vai receber, em 2014.

18 June 2013


Sala formal, ou sala de visitas. Lareira com recuperador calorífero. O tecto encontra-se já todo apainelado em madeira Sofás tipicamente roxos. No cimo do televisor, 3 pedras com poderes mentais de tipo New Age. Espadas cruzadas, em tipo toledano. A cadela, de tipo grand dinamarquesa, é toda trabalhinho atelier Joana Vasconcelos

Casa de banho principal, de tipo Natasha (nome fictício). Jacuzzi/hidromassajador encastrado com acesso através de escadaria em três degraus ascendentes.
Demonstrators wear "Free Pussy Riot" balaclavas as they protest at the security fence surrounding the G8 Summit at Lough Erne in Enniskillen, Northern Ireland June 17, 2013

O PENSAMENTO FILOSÓFICO PORTUGUÊS (CXV) 

João César das Neves

"Sala de convívio" onde decorre o treino de agitadoras e espias profissionais

Grande Mestre, dissipai as trevas que se apoderaram da nossa mente: quais as "lutas heróicas dos trabalhadores" que não foram conduzidas por pérfidos "agitadores profissionais" e incubadas em "salas de convívio" (onde, Deus me perdoe!... sabe-se lá o que mais por ali se pratica)?... Houve alguma?
Espécime raro de punk luso com a sua banda Kaubóis de Kabul

(T.S. Eliot) 

"Uma das características dos dias de hoje é o surto, irremediável e provavelmente duradouro, de reaccionarismo social, cultural e político. Não é ideologia, não é política, foi vontade de ficar no lado dos mais fortes, dos que pareciam estar a vencer, dos que estiveram na moda. A crise acicatou estas divisões. Era o lado confortável há dois anos, hoje é o lado do desespero, logo da agressividade. 

Hoje, que os dias dourados da engenharia utópica do 'ajustamento' já estão longe, o que sobra é uma acção por surtos, caótica, dolosa, confusa, que não ousa mostrar a cara, que se enreda em mentiras e explicações. Desamparado dos seus mentores governativos, todos na defensiva, o discurso reacionário outrora impante, torna-se reactivo, feroz, grupal, 'de classe'. Eles percebem que os seus melhores dias já estão no passado e que tudo vai soçobrar. Com laivos autoritários, contra a lei, acima da lei, contribuem para o acelerar da dissolução dos laços sociais, para o discurso de guerra civil, para um finis patria que tanto pode ser um 'bing' como um 'bang'. É uma espécie de PREC ao contrário. Quem já viu um, percebe demasiado bem o outro. 

Hoje, um discurso da moderação tornou-se inaceitável porque a intolerância reaccionária domina. A intolerância classifica por necessidade e por arrogância. O que era ponderado ontem, hoje parece excessivo, radical. Mas não é. É o mesmo, num outro deserto".(daqui; ler também aqui)

GENTE MÁ E INGRATA! NÓS, AO MENOS, HONRAMOS OS NOSSOS HERÓIS!
Regressando ao que é, realmente, importante, a Edviges - acreditando na transcrição - acha que "o poema só por si é subjectivo" (coisa peculiar num poema) e "a forma como as questões estão formuladas poderá levar a várias interpretações [não sabendo nós] se essas interpretações estarão ou não de acordo com os critérios de correcção" E é de opinião que "tem quatro questões [custava-lhe muito dizer "perguntas"?] e duas delas podiam ser mais objectivas". Imaginem que, aos pobres infantes, lhes era pedido para comentar coisas tão transcendentes como:

"O luar através dos altos ramos,
Dizem os poetas todos que ele é mais
Que o luar através dos altos ramos.
Mas para mim, que não sei o que penso,
O que o luar através dos altos ramos
É, além de ser
O luar através dos altos ramos,
É não ser mais
Que o luar através dos altos ramos"


...  quais haveriam de ser os "critérios de correcção"?

British Sea Power and the London Bulgarian Choir - "Waving Flags"



You are astronomical, fans of alcohol  
So welcome in  
Are rising in the east and setting in the west  
All waving flags
 
We’re all waving flags now  

Waving flags but don’t be scared
 
'Cause you, you're only here for a while  

And it’s all a joke  
Oh, it’s all a joke  
Oh
 
Are here of legal drinking age, on minimum wage  

Well, welcome in  
From across the Vistula, you’ve come so very far  
All waving flags
 
We’re all waving flags now... 

Beer is not death, beer is not life 
It just tastes good especially tonight
 

So welcome in  
We are barbarians  
Oh, welcome in  
Across the Carpathians
 
Oh, welcome in  

We are from Slavia  
Oh, welcome in  
Across the stadion
 
Oh, we can’t fail  

Not with Czech Ecstasy  
No, we won’t fail  
Not with Czech Ecstasy
So welcome in

16 June 2013


 A GREVE

"O que está em causa para o Governo na greve dos professores é mostrar ao conjunto dos funcionários públicos, e por extensão a todos os portugueses que ainda têm trabalho, que não vale a pena resistir às medidas de corte de salários, aumentos de horários e despedimentos colectivos, sem direitos nem justificações, a aplicar a esses trabalhadores. É um conflito de poder, que nada tem a ver com a preocupação pelos alunos ou as suas famílias. Há mesmo em curso uma tentação de cópia do thatcherismo, à portuguesa, numa altura em que uma parte do Governo pende para uma espécie de gotterdammerung revanchista e vingativo, de que as medidas ilegais como a recusa do pagamento do subsídio de férias pela lei em vigor são um exemplo. Não é porque não tenha dinheiro, é porque quer mostrar que é o Governo que decide as regras do jogo e não os tribunais e as leis. Qualquer consideração pelas pessoas envolvidas, não conta. (...)

O medo dos despedimentos é muito perturbador no actual contexto de crise social, em que quem perde o trabalho nunca mais o vai recuperar. Por isso, a greve dos professores, como a greve dos funcionários públicos, é pelo emprego, em primeiro lugar, em segundo lugar e em último lugar. É também contra a imposição unilateral de condições de trabalho e horários no limite do aceitável. Mas o emprego é hoje o bem mais precioso e mais ameaçado. Aliás, o aumento do horário de trabalho é também uma medida para facilitar o desemprego. (...) 

Não adianta virem usar slogans, como seja a 'defesa da escola pública', apresentando-os como a principal razão de luta dos professores. Em casa em que não há pão, ninguém se mobiliza por abstracções, mobiliza-se pelo pão. É verdade que o Governo é contra a 'escola pública', mas o seu objectivo fundamental nestes dias é despedir funcionários públicos, incluindo os professores, para garantir os cortes permanentes da despesa pública a que se comprometeu, em grande parte porque, ao ter deprimido a economia no limite do aceitável, não tem outro modo de controlar o défice. Se o escolhe fazer nos mais fracos e dependentes da sua vontade, como sejam os funcionários públicos, é relevante, mas até por isso é a balança de poder que está em causa nas próximas greves. (...) 

Não é pela “defesa da escola pública”, nem por qualquer objectivo assim definido programaticamente, que a greve pode ter sucesso, em particular face à ofensiva governamental que conta com muito mais apoio na comunicação social do que se pensa. É pela condição do trabalho, pelo emprego, que, no actual contexto, são muito menos egoístas do que podem parecer. É, aliás, também nesse terreno que os funcionários públicos e os professores podem e devem “falar” com todos os outros trabalhadores do sector privado, porque aí os seus objectivos são comuns.

O que parece que os sindicatos têm vergonha de enunciar é o seu papel de defesa de um grupo profissional, como se os objectivos laborais não fossem objectivos nobres de per si, ainda mais na actual tentativa de criar uma sociedade 'empreendedora', assente na força de poucos contra o valor e a dignidade do trabalho de muitos. A incapacidade que tem a esquerda de enunciar objectivos firmes no âmbito destes valores, substituindo-os por uma retórica abstracta, acaba por resultar numa falsa politização que se torna num instrumento espelhar do mesmo discurso de divisão que o Governo faz. Ainda estou à espera que alguém me explique por que razão não se diz preto no branco, sem bullshit, que a greve é justificada pela simples motivo que nenhum grupo profissional numa sociedade democrática, seja empregado de uma empresa, ou do Estado, pode aceitar que se lhe torne o despedimento trivial, por decisões que são de proximidade (os chefes imediatos), e que não têm que ser justificadas a não ser por uma retórica vaga de 'reestruturação', um outro nome para cortes cegos e pela linha da fraqueza dos 'cortados'.

E também não se diz, sem bullshit, que não é fácil manter a calma e a civilidade quando se tem que defrontar do lado das negociações pessoas que mentem quanto for preciso, e que estão apenas a ver se meia dúzia de mentiras ou ambiguidades servem para passar a tempestade e voltar à acalmia que precisam para fazerem tudo aquilo que hoje dizem que não vão fazer. Os mesmos que, nos últimos dois anos, tudo prometeram e nada cumpriram e que ainda há poucos meses juravam em público que nada disto iria acontecer. Ou seja, gente não fiável, de quem se pode esperar tudo e cujo discurso nas suas ambiguidades deliberadas está a ser feito para que tudo seja possível. Em Agosto ou em Setembro, passada a vaga de conflitualidade social, vão ver como milhares de pessoas vão para a 'requalificação', como o aumento dos horários de trabalho vai servir para tornar excedentária muita gente e como, sejam professores ou contínuos, todos vão estar no mesmo barco do olho da rua.

Eu continuo a achar que a decência mobiliza muito mais do que a 'escola pública' e que tem a enorme vantagem de toda a gente perceber quase de imediato o que é. E tem ainda a vantagem de ser fácil explicar, e de ser fácil de compreender por toda a gente, que é indecente o que se está a fazer aos funcionários públicos e aos professores. E assim socializar o mesmo tipo de revolta que muitos dos actuais alvos do Governo sentem, porque ela não é diferente da que tem muitos milhões de portugueses. Digo bem, milhões. Não é coisa de somenos". (José Pacheco Pereira, "Público" de 15.06.13 - texto integral aqui)
Não é, de certeza, "rocket science" mas os dados empíricos (nada imprevisíveis) tendem a sobrepôr-se às embriagantes coreografias (recuperando para a seita uma utilidade que, por um instante, esteve à beira de se perder)

15 June 2013